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coreia do sul uma potência econômica
Política e Economia

Como a Coréia do Sul tornou-se uma potência econômica?

Coréia do Sul é uma potência econômica. Integrante do grupo conhecido como os 4 Tigres Asiáticos, Coréia do Sul é uma das economias mais livres e desenvolvidas do mundo.


A Coréia do Sul é um país desenvolvido, uma potência econômica, por diversos motivos, mas o principal deles está diretamente relacionado ao fato de ter se tornado um protetorado americano, ao final da Guerra da Coreia (1950-1953). Ao passo que a Coreia do Norte tornou-se um estado-satélite da União Soviética – e posteriormente da China – o sul da Península da Coréia teve um pouco mais de sorte: ficaram resguardados sob o manto da liberdade.

Coréia do Sul, uma potência econômica

Da mesma forma que o sul teve sorte, o norte, na proporção inversa, acabou fadado à degradação, à tirania e a estagnação. Como adotaram o sistema econômico de planejamento central de matriz soviética – onde o governo se torna o tutor e o agente principal de todos os vetores da economia – o desenvolvimento tornou-se uma completa e total impossibilidade. Hoje, a Coréia do Norte é um dos países mais pobres do mundo, e fica atrás de sua irmã do sul, em todos os índices econômicos, sociais e humanos. Até mesmo o desenvolvimento físico e mental das crianças norte-coreanas acabou sendo comprometido, e permanece nitidamente inferior quando comparado com as crianças sul-coreanas, especialmente como consequência direta da desnutrição.

No sul, como os americanos implementaram uma cultura amplamente associada à liberdade – onde a democracia e o livre mercado tem licença para existir –, evidentemente, desde o princípio, a Coréia do Sul teve muito mais chances de êxito. Evidentemente, a geração de prosperidade está diretamente associada a liberdade. Uma coisa não pode existir sem a outra.

Não que as coisas tenham sempre sido um mar de rosas na Coréia do Sul, muito pelo contrário. Ao final da Guerra da Coréia, a Coréia do Sul era um dos países mais pobres do mundo, e seu produto interno bruto era inferior ao de países africanos. Eles também passaram por um período de ditadura militar. A partir de 1963, o sul da península foi governado pelo general-ditador Park Chung-hee, que permaneceria no poder até ser assassinado, em 1979.

Não obstante, à despeito dos períodos de turbulência política, a cultura da liberdade floresceu nos negócios, concedendo ao país amplas oportunidades para o seu desenvolvimento. A partir dos anos 1980, o nível de prosperidade cresceria exponencialmente, de maneira que – principalmente a partir desta época – ficou visível que seria impossível para a Coréia do Norte acompanhá-la.

Uma das coisas mais importantes que ocorreram na Coréia do Sul foi a percepção de que o desenvolvimento econômico é importante porque traz consigo uma série de benefícios: ele não vem isoladamente, mas está intrinsecamente interligado ao progresso individual, ao êxito material, e a um elevado padrão de qualidade de vida. Portanto, muito trabalho – aliado à liberdade para executá-lo – gera prosperidade em larga escala, que é o melhor método para se combater o atraso, a pobreza e a escassez.

Cultivando esta filosofia, a Coréia do Sul realmente não pararia de crescer. Mesmo tendo um território muito limitado – sendo completamente destituída de recursos naturais – ela adotou a mesma fórmula que os demais Tigres Asiáticos, Taiwan, Singapura e Hong Kong: governo limitado, liberdade econômica e uma burocracia quase inexistente.

No século 21, o país se tornou uma liderança na produção, no comércio e na exportação de produtos eletrônicos, smartphones e banda larga móvel. É evidente que, com o tempo, alguns problemas acabaram surgindo, como grandes monopólios – que recebem no país o curioso nome de “Chaebols”, e normalmente são gerenciados por famílias – e uma burocracia cada vez mais letárgica e centralizada. Problemas similares, no entanto, surgiram em outros Tigres Asiáticos. O ambiente econômico de Hong Kong, por exemplo, tem se degradado substancialmente. Do capitalismo de livre mercado, algumas áreas declinaram para o capitalismo clientelista, e o mercado imobiliário passou a ser ostensivamente manipulado por cartéis com conexões no estado.

Outro fator de risco em sua economia é o mercado de ações, que constantemente oscila em virtude de sua proximidade com a instável e beligerante vizinha do norte, especialmente sempre que há ameaças de guerra, que muitas vezes acabam minando sua credibilidade fiscal, ou tendo efeitos indesejáveis em outros países do continente.

No entanto, a Coréia do Sul tem todas as potencialidades necessárias para superar as eventuais dificuldades que estão em seu caminho. Hoje, é a 4ª maior economia da Ásia, e a 11ª maior do mundo. Esta diminuta nação da Península da Coréia também está incluído em um grupo conhecido como Os Próximos 11, um conjunto de países cujas economias serão prováveis lideranças globais em um futuro próximo.

A Coréia do Sul vem a ser mais um formidável exemplo de nação, entre outros, que nos mostra porque a liberdade econômica é tão importante. Ela não acaba com todos os problemas que existem na sociedade, é verdade, mas é capaz de mitigar a maior parte deles. O desenvolvimento da Coréia do Sul, antes de tudo, mostra um flagrante contraste com sua vizinha do norte, uma nação estagnada em uma ideologia arcaica, autoritária e obsoleta, com um governo ditatorial – onde todo o desenvolvimento é uma fachada artificial para turistas –, que, na prática, não consegue deixar de ser um dos países mais miseráveis do mundo.

Esta reflexão nos mostra quão nocivas podem ser ideologias políticas. Por culpa direta da Guerra Fria, hoje temos duas nações completamente distintas e divergentes na Península da Coréia. Enquanto uma caminha para frente, irradia prosperidade e tem excelentes perspectivas de futuro, a outra caminha para trás, e permanece paralisada em uma ditadura atroz e agressiva, onde tudo deve ser moldado de acordo com a vontade do tirano que está no poder.

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