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Política e Economia

Por que chegamos aonde chegamos?

Entender o contexto da economia brasileira nunca foi tão importante


Aqueles que têm o hábito de culpar o capitalismo por todas as coisas ruins que acontecem no país deveriam seriamente rever os seus conceitos. Embora esta afirmação pareça absurda, é importante compreendermos que o Brasil, na verdade, nunca foi um país verdadeiramente capitalista. Vamos entender porquê.

O Brasil nunca foi um país verdadeiramente capitalista. Click To Tweet

Embora isso confunda muitas pessoas, o fato de existir dinheiro em circulação em um país não é suficiente para torná-lo capitalista. Isso significa apenas que a população usufrui de uma liberdade econômica relativa para comprar e vender. Até mesmo em países socialistas há circulação de dinheiro, o que não vem a ser surpresa alguma. Isso ocorre em função de um fator relativamente simples: até mesmo governos socialistas compreenderam que economias completamente estatizadas levam seus respectivos países ao colapso rapidamente. Um bom exemplo disso está na União Soviética dos anos 1930, e no Camboja do Khmer Vermelho, cujo governo socialista, liderado por um corrosivo e virulento ditador conhecido como Pol Pot, desmantelou completamente a nação em apenas quatro anos. Portanto, iniciativa privada e livre mercado são elementos fundamentais para o desenvolvimento econômico salutar de uma nação.

Mas não se engane: nós vivemos em um país socialista. De acordo com a versão mais recente do Índice de Liberdade Econômica do Heritage Foundation, somos mais socialistas do que a Rússia e a China. Isso significa que lidamos com uma economia restrita, burocrática, retrógrada, sufocante e dominada por cartéis.

Mas não se engane: nós vivemos em um país socialista. Click To Tweet

O que muda de um país socialista para um país verdadeiramente capitalista é a formatação de sua conjuntura econômica. Países capitalistas usufruem de uma economia de mercado. E por isso são desenvolvidos. Países socialistas, por sua vez, padecem debaixo de uma economia de cartel. Por isso são subdesenvolvidos, e não raro tem de lidar com problemas relacionados à recessão econômica. Como é o nosso caso.

O desenvolvimento de uma economia de cartel no Brasil, como todos sabemos, em sua forma mais agressiva, ocorreu durante os anos de governo petista, e agora sofremos as consequências de sua mordaz e dilacerante ressaca. O capitalismo de cartel arregimenta em torno de si uma poderosa estrutura que envolve o governo, grandes empresas, estatais e megacorporações. A partir do conluio do estado com empresários e executivos, um sistema financeiro é estruturado para enriquecê-los de maneira contínua e sistemática. Em decorrência disso, uma monumental estrutura financeira é elaborada para atendê-los, o que incorre em uma ostensiva e descomunal infusão mercantil de metacapitalismo, um fenômeno financeiro parasitário caracterizado pela envergadura de um sistema mercadológico que abastece contas bancárias particulares com recursos públicos, associados a negócios, contratos, licitações e transações fraudulentas corroboradas pelo estado. Desta maneira, desenvolve-se um pretensioso amálgama entre estado e setor privado, que intercala agentes do governo e proprietários de megacorporações, com a única finalidade de tornar todos os envolvidos extremamente ricos. E no compasso do que é alardeado como um “exponencial e fascinante crescimento econômico”, surgem metacapitalistas de renome, sendo Eike Batista o mais notório exemplo neste caso. Dessa maneira, é estruturado um sistema econômico de monopólios que os favorece, fazendo o dinheiro circular apenas entre eles. E enquanto eles enriquecem, a população, na mesma proporção, empobrece.

Mas e antes do governo petista, o que nós éramos? Não podemos nos iludir achando que nossas políticas econômicas eram verdadeiramente desenvolvidas, porque não eram e nunca foram. Na época de FHC, o socialismo fabiano começara a ser implantando no Brasil. E ao longo de toda a sua história – embora tenhamos vivido momentos de expansão e crescimento econômico, é verdade –, o Brasil nunca foi verdadeiramente uma economia de mercado. A economia sempre foi pontuada por princípios paternalistas, patrimonialistas e protecionistas. Isso significa que, muito similar a economia de cartel, grandes empresas e megacorporações sempre buscaram conexões no governo para proteger os seus interesses, coibir a concorrência e ter precedência no mercado. O notório economista e cientista político brasileiro Roberto Campos – um dos grandes defensores do liberalismo econômico – era especialmente cínico com relação às estatais: além de ver o potencial que as mesmas arregimentavam como agenciadoras de monopólio e corrupção, ele tinha plena consciência do retrocesso econômico que elas traziam para o Brasil. Não era sem motivos que chamava a Petrobrás de “Petrossauro”.  

O desenvolvimento de um país é altamente dependente da anatomia estrutural e funcional de sua economia. O socialismo fabiano, com seus agressivos e dilacerantes princípios escravocratas e restritivos, inibe de maneira incomensurável o progresso da iniciativa privada – especialmente as pequenas e médias empresas – através de uma mordaz e corrosiva ditadura tributária, que sufoca completamente o desenvolvimento econômico do país. Soma-se a isso o fato de que o capitalismo de cartel tenta coibir tudo aquilo que ofereça alternativas ao consumidor. Um exemplo notório em nosso país atualmente evidencia o conluio do governo com a máfia dos taxistas, que estão fazendo o possível e o impossível para dificultar a implementação do Uber no Brasil.

Para um país ser verdadeiramente capitalista, é necessário que ele usufrua de ampla liberdade econômica. Click To Tweet

Para um país ser verdadeiramente capitalista, é necessário que ele usufrua de ampla liberdade econômica. Capitalismo de cartel não é capitalismo de verdade, é uma matriz socialista cujas políticas beneficiam alguns poucos grupos, em detrimento de toda a população. Este é um sistema parasitário, totalmente abalizado sobre diretrizes contrárias a da economia de mercado. Para piorar a situação, quem sempre acaba pagando o preço do retrocesso, para variar, é o micro, pequeno e médio empresário. Em setembro do ano passado, a Receita Federal notificou milhares de micro e pequenas empresas a quitarem as suas dívidas tributárias, em um valor total estimado em R$ 23,8 bilhões. Mas não emitiu nenhum parecer oficial sobre os R$ 392 bilhões devidos pelas quinhentas maiores empresas do Brasil. Evidentemente, o governo é condescendente com estas práticas espoliadoras. Grandes empresas e megacorporações podem servir de bode expiatório para esquemas e negócios ilícitos que interessam ao estado. Pequenas e médias empresas, por outro lado, não têm serventia nenhuma para o governo. Como este grupo não possui representação política, não tem quem defenda os seus interesses. Serão invariavelmente espoliados pelo estado de forma virulenta, mordaz, fulminante e sistemática. Como sempre, a corda rompe do lado mais fraco.

Apenas o liberalismo econômico – com políticas ostensivas que permitam a sua implementação e a sua manutenção – poderão nos livrar dos agressivos grilhões da economia socialista de cartel. E apenas desta maneira, o Brasil poderá contemplar possibilidades factuais de progresso e desenvolvimento. Vamos ser verdadeiramente livres quando todas as políticas socialistas e protecionistas forem expurgadas da nação de uma vez por todas, sendo suplantadas pelo liberalismo econômico. Do contrário, continuaremos sendo invariavelmente prejudicados. Como empresários, como trabalhadores e como consumidores.  

 

   

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