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Verticalização de colmeias triplica produção de mel


João Pessoa – Depois de um longo período de estiagem, apicultores do Sertão paraibano estão triplicando a produção de mel com a verticalização de colmeias, tecnologia que permite o aumento do número de ninhos e melgueiras. Metade dos produtores atendidos pelo Sebrae na Paraíba já aderiu ao método e alguns estão extraindo 35 quilos de mel por colmeia, 25 a mais do que no sistema convencional.

No método tradicional, existe apenas um ninho (onde as abelhas fazem a reprodução) e uma melgueira (espécie de caixa onde as abelhas colocam o mel). Já na verticalização, são dois ninhos e, no mínimo, três melgueiras, dependendo do tamanho do enxame. As colmeias são posicionadas uma acima da outra, criando mais espaço para que as abelhas possam colocar o mel.

José Dinaldo Vilar, consultor de apicultura do Sebrae, explica que a verticalização faz parte do manejo para alta produtividade do mel, que inclui ainda as trocas das abelhas rainhas e das ceras. “Por enquanto, estamos fazendo apenas a troca das ceras. A das abelhas só será feita a partir do próximo ano com a implantação de um projeto de melhoramento genético, que vai aumentar ainda mais a produção”, diz. Entre outros benefícios, a tecnologia induz as abelhas a produzir cera, evita que os insetos abandonem as colmeias e permite um melhor aproveitamento das floradas.

A técnica está sendo repassada aos apicultores de oito municípios do Alto Sertão, região onde se concentra a maior produção de mel no estado. Os 90 produtores são de Vieirópolis, São Bentinho, Santa Helena, Triunfo, Poço de José de Moura, Aparecida, São José da Lagoa Tapada e Cachoeira dos Índios. A maior produção fica em Triunfo, de onde saem cerca de 40 toneladas de mel por ano.

Apicultor há sete anos, durante muito tempo Damásio Pereira resistiu à verticalização, mas em março do ano passado decidiu fazer um teste e se surpreendeu com o resultado. Com a ajuda do Sebrae, ele implantou a técnica em 44 das 135 colmeias. Enquanto no método tradicional, ele retira dez quilos de mel por colmeia, na verticalização extrai 35.

“Eu assisti a algumas palestras sobre o assunto, mas confesso que não levava muita fé. Eu achava que não era vantagem, mas ano passado decidi fazer um teste em oito colmeias. O resultado foi tão bom que fiz em 44 e quero fazer no resto. No sistema convencional, os enxames ficam fracos e, até a rainha colocar a cria, a gente perde 15 dias da florada. Na verticalização, as colmeias ficam com reserva de mel o ano todo sem que a gente precise alimentar”, reforça Damásio, que é presidente da Associação dos Apicultores Criadores de Abelhas Melíferas Europeias de Triunfo (Atacamel).

Estiagem

Por causa da seca, metade das abelhas foi embora ou morreu. Por isso, a produção de mel este ano deverá cair pela metade na região. Para quem apostou na verticalização, os prejuízos foram menores. “Os apicultores que adotaram a técnica tiveram uma queda de 20% na produção. Já os que mantiveram o sistema tradicional amargaram uma redução de até 50% e somente agora as colmeias estão começando a se recuperar”, conta Damásio. A expectativa é que no próximo ano a produção se normalize.

Marcos Antônio dos Santos foi outro apicultor que aderiu à tecnologia. Ele e Damásio são responsáveis por oito das 40 toneladas de mel produzidas em Triunfo. “Há dois meses, fiz a verticalização em 15 das 120 colmeias que possuo, mas ainda não extraí mel. Com essa técnica, o enxame permanece sempre grande e, dependendo da florada, resulta em uma boa produção. Acredito que vou conseguir colher 50 quilos de mel por colmeia, 20 a mais do que tiro nas colmeias comuns”.

Metade do mel produzido na região é vendida à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a merenda escolar. A outra é levada por atravessadores para o Ceará e de lá é exportada para a Europa e Estados Unidos. Isso ocorre porque a Paraíba ainda não possui entreposto, local onde é feito o beneficiamento do mel.

Essa realidade deverá mudar ainda este ano, com a inauguração de dois entrepostos nos municípios de Aparecida e Poço de José de Moura, que estão em construção. “O entreposto é o local que concentra a produção de mel de uma região. É onde ocorre a decantação, homogeneização e envase do mel, que é certificado e sai pronto para ser comercializado em qualquer parte do país e do exterior”, explica Fabrício Vitorino de França, gestor do projeto Desenvolvimento Setorial do Agronegócio do Sebrae, em Sousa.

Também serão inauguradas cinco unidades de beneficiamento, que farão a recepção e centrifugação das melgueiras. As de São José da Lagoa Tapada e São Bentinho estão em fase final de construção e as de Santa Helena e Triunfo estão prontas, aguardando apenas a licença do Ministério da Agricultura para começarem a funcionar. As unidades, financiadas pelo projeto Cooperar e Banco Mundial, permitirão a extração de mel com mais qualidade e higiene, atendendo às exigências do mercado.

Serviço:
Sebrae na Paraíba: (83) 2108-1218
www.pb.agenciasebrae.com.br
Central de Relacionamento Sebrae: 0800 570 0800     

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