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Jogos no celular fazem usuários gastar bastante dinheiro


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Matéria por Marília Almeida, de EXAME.com*

Jogos no celular como Candy Crush, Clash of Clans, além de games em rede no Xbox e Playstation, têm extrapolado o mundo virtual e causado prejuízos financeiros na vida real. O problema tem se ampliado à medida que empresas desenvolvedoras de games têm percebido que é possível ganhar muito dinheiro não apenas no momento da venda dos videogames e dos jogos, mas durante a sua utilização.

Geralmente, estes jogos são gratuitos, mas a sacada dos desenvolvedores é que, à medida em que o jogador evolui, e vicia, no game, o usuário pode comprar itens dentro do jogo que melhoram o seu desempenho e permitem ultrapassar os níveis mais difíceis do jogo. “O aumento dos gastos em jogos virtuais já preocupam administradoras de cartões por conta de fraudes e cobranças indevidas. O tema também tem ganhado atenção em simpósios sobre educação financeira”, diz José Vignoli, educador financeiro do Meu Bolso Feliz, portal de educação financeira da empresa de informações sobre crédito SPC Brasil.

A lista dos aplicativos gratuitos mais rentáveis para celulares da Apple prova que a estratégia tem dado certo: oito dos dez apps mais rentáveis são jogos, entre eles o popular Candy Crush, cujo objetivo é combinar peças em um quebra-cabeça. O aplicativo que cobra por ligações telefônicas internacionais Skype e a rede de contatos profissionais LinkedIn aparecem em 13º e 21º lugar.

A Super Cell, empresa americana que tem dois jogos entre os dez mais rentáveis na lista, o Clash of Clans e o Hay Day, já faturava, no ano passado, 2,4 milhões de dólares por dia, de acordo com a Forbes. O Clash of Clans, que é um dos mais rentáveis em 122 países, inclusive no Brasil, tem como objetivo criar um exército para resistir a ataques inimigos. Atualizado periodicamente, o jogo mantém o interesse dos jogadores. Caso os usuários deixem de jogar por algum tempo, o desempenho no game cai.

Para construir estruturas que defendam as tropas de forma mais rápida, os jogadores podem comprar pacotes que custam de 9,99 dólares a 99,99 dólares. Em consoles, como o Xbox, o gasto também pode ser alto. Além de pagar cerca de 2 mil reais pela aquisição da última atualização do videogame, que é vendida com um jogo, o usuário pode ter de pagar 200 reais apenas por uma atualização deste jogo. Além disso, o jogador pode gastar 100 reais por ano para jogar online com outros usuários.

No Brasil, 45,2 milhões de pessoas são usuárias frequentes de games e o país já é o quinto maior mercado do mundo, à frente de países como Reino Unido, Alemanha e Espanha, segundo levantamento do site Canaltech com dados da empresa de pesquisa eMarketer, realizado no ano passado. A mesma pesquisa mostra que o faturamento com jogos digitais no Brasil deve chegar a 2 bilhões de dólares este ano, o dobro do valor registrado em 2011.

Paulo Roberto Ferro Junior, 35 anos, vive em São Paulo e já teve dívidas por causa dos games. Durante três anos ele se descontrolou e chegou a gastar 600 reais em um mês com a brincadeira. Paulo tem dois videogames XBox e 90 jogos, comprados durante os últimos dois anos e meio. Como cada jogo custa, em média, 120 reais, e os consoles cerca de 2 mil reais, o gasto total foi de cerca de 15 mil reais no período.

Ele também costuma comprar alguns itens vendidos nos games. “Já gastei entre 20 reais a 100 reais para comprar os melhores itens de cada jogo. Eram itens que não dependiam do meu desempenho no game, eles apenas poderiam ser adquiridos se fossem comprados”, conta. Casado e com dois filhos, ele começou a se controlar após entrar em algumas brigas com a esposa. Hoje, ele reduziu os gastos com games a 80 reais por mês, passou a anotar as despesas em uma planilha e descobriu maneiras de dividir gastos com outros jogadores.

Veja a seguir algumas dicas para se divertir sem gastos desnecessários:

1) Desconfie de grandes dificuldades

Existem jogos e aplicativos, mesmo gratuitos, nos quais o nível de dificuldade cresce de forma rápida após determinado nível, o que pode tornar mais difícil ultrapassar etapas sem comprar os itens oferecidos pelo jogo.

Vignoli recomenda aos jogadores que evitem esse modelo de game. “O jogo seduz e provavelmente vai fazer com que o jogador gaste mais do que pode”.

2) Não confunda o mundo virtual com a vida real 

Os itens vendidos nos games podem se tornar algo valioso aos olhos do usuário que tem o hábito de jogar com frequência. Como consequência, cobrar um determinado valor por um conjunto de itens para ultrapassar uma fase complicada pode ser enxergado como uma quantia irrelevante quando comparada com a conquista que será alcançada.

“Qualquer que seja a oferta de um jogo, ela nunca será barata o suficiente para ser paga com dinheiro de verdade”, diz o educador financeiro da SPC Brasil.

3) Cuidado com as facilidades de pagamento e o câmbio

Alguns games armazenam os dados do cartão de crédito e permitem aos usuários fazer novas compras com muito mais facilidade, o que pode levar às compras por impulso.

A maioria dos preços é cobrada em dólar e inclui o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Uma compra de 1 dólar se transforma em 3 reais com a moeda americana cotada em 2,45 reais e o IOF de 6,38% para compras no exterior feitas no cartão de crédito.

Caso o usuário gaste 100 dólares, a despesa será de 300 reais.

4) Acompanhe gastos  

Vignoli recomenda sempre consultar o saldo da conta no banco antes de gastar com jogos. “O jogador deve se perguntar se pode e se precisacolocar seu dinheiro nisso”. Acumulados, valores aparentemente pequenos podem representar uma parte importante do orçamento.

A dica é ainda mais importante para quem não tem ideia sobre quanto gasta por mês. “Somente se o jogador se organizar vai perceber o peso dos gastos com games no orçamento”, diz o educador financeiro da SPC Brasil.

5) Drible truques 

O jogador deve ficar sempre alerta em relação aos objetivos dos desenvolvedores de jogos. Muitos, por serem gratuitos, dão a falsa sensação de que não têm custo algum.

Mas as empresas usam a necessidade do usuário de evoluir no game para começar, aos poucos, a ganhar dinheiro. “Esses jogos são como as apostas em um cassino: viciam. O cuidado deve ser o mesmo do que o de jogos tradicionais, como pôquer, ou até maior. Se o jogo está no celular, é mais difícil controlar o uso”, diz Vignoli, da SPC Brasil.

6) Não se deixe levar pela competição 

Quando um grupo de pessoas costuma se divertir com os mesmos jogos e aplicativos pode surgir um clima de competição entre os usuários. Esse comportamento pode levar o jogador a colocar mais dinheiro para completar as fases de forma mais rápida do que os outros. Nesse caso, diz Vignoli, é necessário refletir se realmente vale a pena gastar mais do que pode apenas para não se sentir excluído do grupo.

7) Desabilite ferramentas que facilitam a compra

Há meios para diminuir a vontade de comprar nos games online. Busque, por exemplo, desabilitar a função de compras em aplicativos no celular, ou não deixe as informações sobre o cartão de crédito salvas no jogo. Como será necessário habilitar a função ou digitar os dados do cartão antes de realizar a compra, esse intervalo de tempo pode ser usado para refletir se o gasto vale a pena.

8) Monitore o uso dos jogos pelos seus filhos

Vignoli recomenda observar hábitos de crianças e adolescentes no uso de jogos online. “Os pais devem se perguntar se os filhos estão gastando com a brincadeira, ainda mais se eles tiverem um cartão de crédito ou se usarem o cartão dos pais. A fatura deve ser monitorada de forma rigorosa”.

O analista de sistemas Paulo Pedroso, 43 anos, já foi surpreendido por uma cobrança de 7 reais na fatura do cartão porque sua filha de apenas quatro anos clicou em uma anúncio dentro de um aplicativo de game em seu celular. Paulo passou a monitorar o uso dos jogos e deixar sua filha jogar por apenas duas horas, quando ele está por perto. “Ela só joga no tablet, onde não deixo senhas gravadas”.

Para Vignoli, da SPC Brasil, a melhor maneira de reduzir o gasto e o vício dos filhos é ampliar o convívio familiar e ensiná-los a gastar o dinheiro de forma mais construtiva.

* Matéria por Marília Almeida, de EXAME.com, parceiro oficial de conteúdo do Startupi.

Imagem de abertura: 198622655 via Shutterstock.

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