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San Francisco Experience 1 – encontros e desencontros


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b sanframTinha um desejo antigo de visitar o Silicon Valley. Aqui estou. Narrarei minha experiência de visitar startups nas próximas semanas na ResultsON, mas hoje queria apenas dividir alguns pensamentos que têm me batido nestes 2 dias que estou por aqui.

Um primeiro deles está neste post no Brainstorm#9, que me fez voltar aos artigos aqui na EmpresaBrasil. Back to blogging.

Outro, trabalhando de um café ao lado do hotel no bairro Castro em San Francisco, no meu iPad com wi-fi free oferecido pelo Cup-a-Joe, é que há um outro mundo muito diferente daquele que vivemos no Brasil e em especial em São Paulo, menos maluco, menos estressado e muito mais diverso e interessante.

O Brasil é a bola da vez, sei disso, teremos Copa e Olimpíadas nos próximos anos, (e quem não curte ou trabalha com esportes?) e há uma crise perceptível aqui nos EUA.

Mas, e sempre há um mas no meio do caminho, existe por aqui uma possibilidade de se levar uma vida muito diversa, alternativa e, apesar disso, materialmente decente.

Já no meu terceiro expresso duplo (os americanos aprenderam a tomar café!), quando o moço do caixa já me perguntou “what about some watter in between coffees?” – hahahaha – e trocando emails com meu pessoal no Brasil, se aproxima uma senhora de uns 60 anos, algo assim, meio hippie, meio indie, na mesa dela vários papéis e canetinhas de todas as cores e, muito discretamente me pergunta: “iPad?” Sim, respondo. “Você é um digitador que não olha pro teclado?” continua. Não, explico, muito pelo contrário, digito com poucos dedos e olhando o tempo todo. “Eu sou… e não sei se o iPad funcionaria para mim… sou escritora” continua ela…

Termino um email pro Ze Mac – só para provocá-lo que ele e eu aqui em SF detonaríamos – e a convido para sentar e testar o iPad. “Olhe para mim”, comanda ela enquanto tecla me olhando. Obviamente que a digitação dela não funciona, pois ela está teclando no ar sem a menor possibilidade sensitiva de saber se tecla certo ou errado…. Mas olha a maquinha e diz “tempting, but not for me”… Ainda tento “vender” a ela um tecladinho da Apple, que é ótimo…. 🙂 “not for me…” conclui.

Ela me conta então que é escritora, que viaja os EUA inteiro e que precisa de uma máquina que a acompanhe nas viagens que faz e que ela possa teclar sem olhar. Pensa, transmite pros dedos e a máquina tem que fazer o resto e, antes de sair, termina o rápido papo dizendo que comprou uma Vespa há uns 30 anos que usa para se locomover aqui em SF e que ela mesma faz a manutenção desta que ela julga uma máquina perfeita. “Não preciso de mais nada para me levar por aí”, comenta. “The iPad is not that machine yet”, provoca. (Já pensou se o Jobs cruza com uma senhora como ela?)

Enquanto ela se vai, fico refletindo, ouvindo os papos de todos os tipos e em muitas línguas a minha volta aqui no café e penso: o que a gente faz da nossa vida é a vida que a gente leva e em muito momentos temos que ter um enorme cuidado para não sermos levados e cairmos numa vida longe daquela que sonhamos para nós mesmos.

Ok, senso comum, quase auto-ajuda? Verdade, mas é muito mais comum as pessoas perceberem tarde demais que estão no rumo errado ou sem rumo do que terem um senso-comum.

E sinto um certo senso de manada no Brasil, somos muito followers e pouco tocadores de bumbo, nossa inovação é muito mais criatividade do que qualquer outra coisa e se você não se encaixa no modelinho “mainstream” do nosso país é muitas vezes um grande peixe fora d’água.

Sonhar é fundamental e uma das coisas que a Jeanette, a escritora hippie, me provocou em nossos 10 minutos de papo, foi que nunca se pode esquecer disso.

Mais senso comum, mas senso comum anda meio em falta por aí.

Dinheiro, coisas materiais, são super importantes, claro, mas o sonho é que dará um enredo para nossas vidas e um legado, para aqueles que se preocupam com isso.

Nice to meet you, me despedi dela, enquanto se dirigia à sua Vespa e seus escritos… E eu aos meus.

Leia em Empresa Brasil!

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