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Política e Economia

Estatismo. A grande barreira dilaceradora do mercado de trabalho

Contrastes fundamentais entre as reais necessidades da população, e a alienação da classe política brasileira


Recentemente, a deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila, do PCdoB, declarou que disputará a corrida presidencial de 2018. E, de antemão, é possível prever que sua candidatura será, como a de muitos outros candidatos, completamente irrelevante para a grande maioria da população brasileira. Sobretudo, entre empresários e empreendedores. Mas por quais razões é possível antecipar isso?

Manuela, marxista declarada, vem de um segmento político que nem sabe o que é empreendedorismo. Ou melhor, nem sabe que o empreendedorismo existe, o que representa, como gera empregos e riquezas, e como praticamente tudo na sociedade brasileira gira em função disto. Ela faz parte de um enorme grupo de pessoas que não consegue perceber como o empreendedorismo está diretamente interligado à possibilidade de desenvolvimento da nação. Em entrevistas recentes concedidas a diversos órgãos da imprensa nacional, ela profere verdadeiros absurdos, que denunciam como ela está completamente desconectada da realidade. Mas esta alienação, evidentemente, não é exclusividade dela.  Na verdade, é latente na maior parte da classe política.

Além de afirmar que a crise que estamos vivendo “é a crise do capitalismo” – claro, tenho certeza que a magnífica, sacrossanta e incorruptível gestão do PT no governo federal não teve absolutamente nada a ver com isso –, ela afirma que, entre as suas prioridades, estão os “direitos humanos e a igualdade de gênero”. Então eu pergunto: como isto dialoga com as necessidades da população brasileira? Não dialoga, de nenhuma forma, maneira ou circunstância. A não ser, é claro, com aquela parcela que é naturalmente de esquerda.

Longe de querer debater posicionamentos políticos, o que reclamo aqui é o fato de Manuela, como a maior parte da classe governamental brasileira, não abordar um ponto crucial para qualquer candidato: a redução do estado.

O estatismo é o verdadeiro responsável pela crise que atravessamos.

O estatismo é o verdadeiro responsável pela crise que atravessamos. Click To Tweet

O excessivo e exacerbado estatismo é o verdadeiro responsável pela crise que atravessamos atualmente. Longe de ser uma “crise do capitalismo”, a brutal e contumaz recessão que sofremos, bem como a lenta recuperação econômica, que parece estar vindo em um conta-gotas, tem no tamanho do estado todos os seus vícios, causas, sintomas, consequências e diagnósticos. É um extorsivo e gigantesco estado excessivamente tributável e burocrático, que asfixia, com a sua colossal obesidade mórbida, todas e quaisquer possibilidades do setor produtivo da sociedade de expandir-se no mercado, e recuperar-se economicamente. O peso do estado sobre a iniciativa privada é tão grotesco e monumental, que inúmeras empresas fecham, e tantas outras deixam de abrir, por conta disso. Como consequência direta deste fato, empregos deixam de ser gerados, negócios deixam de ser realizados, produtos deixam de ser comercializados, e riquezas deixam de criadas, em decorrência do fardo abjeto que o estado tornou-se para o setor privado. Está impraticável sustentar o estado. A classe empresarial não consegue mais. Enquanto a classe política não conseguir compreender isso, candidaturas como a da deputada em questão serão, na melhor das hipóteses, um jogo de vaidades pessoal, a ser completamente ignorado pela grande maioria da população, por não atender às suas reais demandas e necessidades. A incapacidade da classe política, no entanto, de se comunicar e compreender o povo é compreensível. Funcionários públicos não precisam produzir, e recebem salários infinitamente maiores do que os disponíveis na iniciativa privada. A estabilidade no cargo e a segurança financeira são componentes alienatórios, que distanciam a classe política da realidade do cidadão comum. Hoje, o empresário quer produzir. O empresário quer ser capaz de abrir uma filial sem ser assaltado por tributos, tarifas e encargos abusivos, cujos gastos excessivos, na situação atual, o obrigarão a ter de encerrar as atividades mais adiante. A incapacidade – ou cegueira deliberada – da esfera governamental em compreender como o estado está parasitando a iniciativa privada e acabando com ela, é o que faz muitos empresários perderem completamente a esperança na classe política. Hoje, de fato, são poucos os indivíduos no governo que realmente tentam fazer alguma coisa para facilitar a atividade empreendedora em nosso país. Sem nenhum exagero, acho que podem ser contados nos dedos de uma só mão.

Ao citar a deputada em questão, ela foi apenas o melhor exemplo, dentre tantos que poderiam ser citados, de alguém que sofre de sintomas gravíssimos, que afetam a maior parte dos políticos brasileiros: a alienação, e a ausência de prioridades consistentes. Precisamos falar cada vez em estado mínimo, redução de impostos, facilidades para a atividade empreendedora, isenções maiores para microempreendedores e pequenos empresários, e incentivos ficais, além de muitas outras necessidades, que reativariam a produtividade e o desenvolvimento econômico do Brasil. Mas, às vezes, é inevitável pensar que a classe política encontra-se em uma situação muito prática e cômoda, e fingir não enxergar o problema, para eles, com certeza é muito mais fácil. Todas as adversidades que sofremos são consequências – tanto diretas como indiretas –, do agigantamento do estado, que vai ficando cada vez maior, à medida que o setor privado vai ficando cada vez menor. O parasitismo do primeiro com relação ao segundo, no entanto, apenas tende a se expandir. E com isso, evidentemente, vai se expandindo também o problema. O poder de compra dos cidadãos cai drasticamente, e suas possibilidades de se manter no mercado de trabalho, também. O estado, neste caso, é o agente fundamental do problema.

A completa e total ausência de preparo destas pessoas que conseguem se eleger para ocupar cargos públicos é outro fator não menos preocupante. Ao constatar como a referida deputada rotulou a crise pela qual o país passa como sendo “a crise do capitalismo”, não pude deixar de pensar em qual profissão ela se formou. Economia, com certeza, não foi. Atribuir a complexidade dos problemas pelos quais o país passa ao capitalismo, sem levar em consideração todas as mazelas políticas, e o esbulho realizado pelo governo criminoso que tínhamos, e continuamos tendo, que se constitui no principal elemento de uma crise deste relevo, é simplesmente assustador.

Se existe algo que pode – e deve – chamar a atenção do eleitorado brasileiro empreendedor, com relação a qualquer candidato, para qualquer cargo, seja o de presidente, vereador ou prefeito, é a sua abordagem com relação ao tamanho do estado, e sua interação com o setor produtivo da sociedade, tanto para com a classe empresarial, como para com o trabalhador assalariado. Essas são as questões mais cruciais para deflagrar a produtividade de um país. Não podemos levar a sério candidatos que venham com a mesma conversa de sempre. Tudo deve ser simplificado, como de fato o é, em países mais livres e desenvolvidos. Precisamos de um estado menor, de reforma tributária, de uma iniciativa privada mais livre, de redução da burocracia, isso para começar. Depois, evidentemente, muitas outras demandas deveriam, tecnicamente, ser agregadas, para o Brasil ser um país mais desenvolvido e produtivo.

Tudo deve ser simplificado como em países mais livres e desenvolvidos.

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Infelizmente, são poucos os indivíduos dentro da classe política que levantam a questão do tamanho do estado. Normalmente, aqueles que o fazem são, ou já foram, empresários. Portanto, compreendem muito bem o impacto negativo deste sobre o setor privado, bem como a necessidade de reduzi-lo. Na classe política, são poucos os indivíduos capazes de dialogar com a população, definir prioridades realistas, e compreender suas reais necessidades e expectativas. Recentemente, li uma frase muito interessante na rede social de outro possível presidenciável, João Amoedo, um dos fundadores do Partido Novo. Dizia o seguinte: “O Brasil não precisa de um estado grande porque é pobre. O Brasil é pobre justamente por ter um estado grande.” Um dos poucos a reconhecê-lo.

O Brasil não precisa de um estado grande porque é pobre. O Brasil é pobre justamente por ter um estado grande.

O Brasil não precisa de um estado grande porque é pobre. O Brasil é pobre justamente por ter um estado grande. Click To Tweet

Evidentemente, esta “briga” pela redução do estado ainda vai longe. O exacerbado estatismo, raiz de – senão todos, quase – todos os problemas do Brasil, afeta negativamente todo o brasileiro honesto, trabalhador e produtivo. E quando falo em estado mínimo, não quero dizer apenas privatizar. Privatizar é necessário, é fundamental. Não podemos mais tolerar a existência de empresas estatais, que invariavelmente estarão nas mãos de burocratas tendenciosos, corporativistas e improdutivos, que as usarão em nome de interesses escusos, para o seu sórdido e deplorável enriquecimento ilícito. Estado mínimo é mais do que isso: é um estado plenamente funcional, enxuto, dinâmico, desburocratizado e eficiente. Exatamente o contrário do que temos hoje.

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