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O Suicidio


Quem mata o tempo não é assassino, é suicida."
Millôr Fernandes

Matar o tempo é uma das especialidades mais comuns das pessoas. É incrível como está moderno o jeito alienado de viver! Grande parte da população mata seu tempo com ilusões.

A rotina diária é um suicídio lento e muito bem arquitetado. Sabe por quê? Simples! Porque ela embaralha os olhos da nossa alma.

Como assim? Criamos milhares de compromissos que nos comprometem e são eles que nos distanciam de nós mesmos.

Quem já não sentiu uma necessidade gritante de ficar sozinho? Até em uma reunião de negócios? Ou quem já não sentiu uma incontrolável vontade de parar e apreciar o nada? Só por alguns segundos?

Diariamente, nossa alma manifesta desejos puros, necessidades reais que nós sequer captamos. Às vezes nosso corpo está cansado, parece nos suplicar uma pausa; às vezes os negócios travam, sugerindo que não é esse o caminho que devemos seguir; às vezes as pessoas se afastam de nós, demonstrando que estamos distantes demais; às vezes a tristeza nos abate, convidando-nos a sentir nossa respiração; às vezes um filho chora na nossa saída para o trabalho, comunicando que o tempo será cruel com essa distância; às vezes uma dor de cabeça insiste em nos fazer companhia, avisando que é hora de desacelerar; às vezes adoecemos. É quando o corpo grita mais forte, mas nós seguimos.

A maioria diz não haver tempo para certas bobagens como, por exemplo, cuidar das suas próprias vontades e necessidades interiores.

Para muitos o que vale é fazer carreira, ganhar dinheiro, pagar as contas, comprar mais, adquirir mais, cansar bastante, correr incansavelmente, trabalhar desesperadamente, até cair de vez. Quando não der mais, aí então procura–se um médico, ou uma terapia breve, nada de terapia muito longa.

Correr para fora, sim. Correr para dentro, só de leve. Nada de compromisso com a natureza interna. Nada de comprometimento com sua alma. Compromissos e comprometimento valem somente para os outros. Procurar saber de si mesmo é para quem tem tempo na vida. Quem não tem tempo não pode se dar ao luxo de vasculhar suas dores. Aliás, muitos acreditam que as dores se manifestam nas pessoas que não têm objetivos na vida.

E isso não é verdade. Isso é um sinal de tempo perdido. Perdemos tempo quando não espiamos nossa rotina. Espiar, aqui, significa dar a devida importância à voz interior, ao corpo cansado, aos negócios que travam, às pessoas que se afastam, à tristeza, ao filho que chora, à dor de cabeça, ao corpo que adoeceu.

Aprender a interferir e buscar mudança é um processo inteligente e necessário. Inteligente porque você desenvolve a capacidade de percepção e, com isso, o seu autovalor. É necessário porque o tempo espera o tempo que for necessário para, um dia, você se dar o tempo necessário. Então, é melhor que isso aconteça o quanto antes. De preferência já na infância.

Porém, se você é adulto e percebeu que já foi assassino do tempo, saiba que sempre haverá tempo para reconsiderar e usar o tempo a seu favor. Comece aceitando que a rotina asfixia, pois ela asfixia, sim! Descubra o que especificamente o está deixando sem ar. Normalmente, é a falta de sensibilidade com as nossas necessidades. Descoberto o que nos aflige, aí sim, é hora de DESFRUTAR da sabedoria que somente o tempo pode nos dar!

Enquanto eu me perdia de mim, o abismo da ilusão me fazia companhia.

Via RSS de Administradores.com.br

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