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Resenha de “Alone Together” no The New York Times

Alone Together no Jornal do Empreendedor

Resenha do NY Times para o livro “Alone Together” que fala sobre a super conectividade e suas consequências para nossas vidas. Aqui no Jornal do Empreendedor.



The New York Times no Jornal do Empreendedor

Sempre que esses caras escrevem, é bom ler. Alguma coisa de bom sempre tem.

Aqui vai a resenha do The New York Times para o livro “Alone Together” recém-lançado nos EUA e escrito por uma professora do MIT. Ela analisa o novo relacionamento dos seres-humanos (nós) com os gadgets e as nefastas conseqüencias da super conectividade, assunto que já está ficando corriqueiro. Mas como a escritora é uma estudiosa do assunto e escreve há décadas sobre o nosso relacionamento com as máquinas, vale a pena pesquisar.

Alone Together Resenha no Jornal do Empreendedor

Já sabemos que ficar no Facebook o dia todo é ruim. O que mais?

Alone Together. Why We Expect More From Technology and Less From Each Other Por Sherry Turkle / 360 páginas. Basic Books. $28.95.

Amigos sem o toque pessoal

Adolecentes que enviam e recebem de seis a oito mil mensagens por mês e gastam horas do dia em seus Facebooks. Viúvos que enviam mensagens de texto durante enterros porque não conseguem ficar sem usar seus BlackBerries. Crianças que vem uma tartaruga de Galápagos autêntica no Museu americando de História Natural e não conseguem entender porque o museu não fez tartarugas robôs, ao invés das reais. Colegiais que se perguntam demais o que devem escrever em seus perfis do Facebook para que seus amigos pensem que são “cool” e o que as comissões de admissão dos colégios irão gostar.

Como a escritora Sherry Turkle nota em seu novo e perceptivo livro, “Alone Together”, traduzido livremente para “Sozinhos juntos”, estes são exemplos de maneiras que a tecnologia está mudando a forma com que as pessoas se relacionam umas com as outras e constroem suas vidas internas. Ela está preocupada aqui não com os usos políticos da internet – como manifestado nas revoltas democráticas no Egito e em outros países do Oriente Médio – mas com os seus efeitos psicológicos.

Nos seus dois livros anteriores, Turkle – uma professora de estudos sociais das ciências e tecnologia no Massachusetts Institute of Technology – MIT e uma psicológa clínica – coloca considerável ênfase numa pletora de oportunidades para explorar a idêntidade que os computadores e as redes oferecem para as pessoas.

Nestas páginas, ela toma uma visão pessimista, argumentando que as novas tecnologias – incluindo mensagens de e-mail, posts do Facebook, Skype e outros – tem feito da conveniência e controle uma prioridade enquanto diminuem as expectativas que temos de outros seres humanos. As teses da escritora – algumas bastante familiares mas alguns bastante inteligentes e cheios de insight – é que enquanto mais e mais pessoas estão projetando qualidades humanas para os robôs, nós estamos esperando cada vez menos e menos de nossos encontros conforme são mediados pela Net. Ao invés de amigos reais, nós fazemos de amigos, estranhos no Facebook. Ao invés de falar ao telefone (esqueça o face a face), nós enviamos textos e tweets. Tecnologia, ela escreve, “facilita a comunicação quando queremos e finalizamos quando queremos”.

Ao escrever este livro, Turkle entrevistou centenas de crianças e adultos sobre tecnologia e suas generalizações antropológicas muitas vezes são baseadas em evidências esporádicas, e nunca estamos certos quão representativo seus exemplos são. Ainda, a autora tem gasto décadas examinando como as pessoas interagem com computadores e outros equipamentos – seu primeiro livro sobre computadore e pessoas, “The Second Self”, foi publicado em 1984, o próximo “Life on the Screen”, em 1995 – e por situar seus achados numa perspectiva histórica, ela é capaz de embasar contextualmente seus estudos de caso.

Muitos dos adolescentes citados em seu livro expressão um desgosto por uso do telefone. Um estudante do colegial argumenta que uma ligação telefônica significa que você terá uma conversação e conversação são “muito longas e é impossível dizer “até mais”. Outro estudante diz:”Quando você fala ao telefone, você não pensa o mesmo quando envia mensagens de texto. No telefone, muito pode ser revelado”. Textos, em outras palavras, oferecem muito controle – e a habilidade de manter os sentimentos do outro a uma distância. Muitos jovens “preferem lidar com emoções fortes no ambiente seguro da Net”. A escritora diz, “Isso dá a eles a alternativa de processar as emoções em tempo real”.

Enquanto os professores devem se contentar com estudantes distraídos, que frequentemente ficam enviando mensagens e surfando na internet durante a aula, diz Turkle, os jovens tem que se contentar com pais distraídos – que com seus BlackBerries e celulares podem estar fisicamente presentes mas “mentalmente em outros lugares”.

Notando o que o psicanalista Erik Erikson tem como jogo de idêntidade como parte da fase de adolescência, ela argumenta que a Net não apenas supri os adolescentes com muitas oportunidades para explorar que eles são e o que eles aspiram mas também gera mais ansiedade, e pressão de grupo e encoraja muitos a construir, editar e performar um “ator” no esforço de ganhar amigos e influência.

Um entrevistado que ela denomina Brade, Turkle escreve: “Brad diz, meio que brincando, que ele se preocupa em ficar confuso entre o que ele “compôs” para sua vida online e quem ele “realmente” é. Não ainda confirmado em sua identidade, isso o faz ansioso para publicar coisas sobre si mesmo que ele não sabe ao certo que são verdades. Ele acha que coisas que ele diz online afeta a maneira que as pessoas vão tratá-lo na vida real. Pessoas já se relacionam com ele sobre coisas que ele diz no Facebook. Brad luta para ser mais “ele mesmo” lá, mas é difícil. Ele diz que mesmo quando ele tenta ser “honesto” no Facebook ele não resiste a tentação de usar o site para fazer “a impressão certa”.

Como a escritora vê, a vida online tende a promover relacionamentos mais superficiais e emocionalmente preguiçosos conforme as pessoas” são levadas por conexões que apresentam baixo risco e estão sempre a disposição. Essa tendência de tratar outras pessoas como objetos que podem ser rapidamente descartados, ela diz, está incorporada em seu mais extremado tipo no web site social Chatroulett, que aleatoriamente conecta você a outros em outro lugar do mundo: “Você vê outro pelo vídeo. Você pode falar e escrever notas. Pessoas geralmente teclam “Próximo” depois de dois segundos para trazer outra pessoa para a tela”.

Há outras consequências para a conectividade constante. Quando estamos sempre presos aos nossos escritórios, nossas famílias, nossos amigos – mesmo quando fazemos caminhadas na floresta ou caminhando à beira-mar -, quando a solidão se torna cada vez mais incerta e criativa, contemplativa, o pensamento considerado e cuidadoso cada vez mais dá lugar à imediata, às vezes mal consideradas reações.

Às vezes, Turkle pode soar uma hipócrita afetada, queixando-se, por exemplo, que a visão em um café local de pessoas focadas em seus computadores e smartphones enquanto bebem seu café incomoda-a: “Essas pessoas não são meus amigos”, escreve ela, “mas ainda assim eu sinto falta da sua presença” choraminga sentimentalmente.

Examina os pontos maiores e mais importantes que ela quer fazer neste livro – a noção de que a tecnologia oferece a ilusão de companhia sem as exigências da intimidade e da comunicação, sem riscos emocionais, enquanto na verdade, fazer sentir às pessoas solitário e mais sobrecarregados.

“Assim que nos retiramos do fluxo da vida, confusa, desordenada e física e nos envolvemos na vida robótica e em rede – nós ficamos menos dispostos a nos envolver e dar uma chance”, escreve ela. “Uma canção que se tornou popular no YouTube, em 2010, “Do You Wanna Date My Avatar? ” termina com a letra: ‘E se você acha que eu não sou a pessoa certa, log off, log off, e nós acabamos.’

Por MICHIKO KAKUTANI Publicado dia 21 de fevereiro de 2011
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