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Beiju colorido ganha mercado no Pará


Brasília – À primeira vista, a difusão de cores dentro do pacote desperta a curiosidade e causa estranheza. Qual não é a surpresa quando se descobre tratar-se de um dos alimentos mais tradicionais do Norte brasileiro. O beiju, espécie de biscoito natural feito com a fécula da mandioca – tradicionalmente branco, ganhou tonalidades em verde, amarelo, vermelho e roxo e sabores de frutas e legumes.

O beiju colorido é feito artesanalmente pelas mulheres da Associação dos Produtores e Criadores da Localidade de Menino Jesus, no município de Capanema (PA), a 120 km de Belém. Com ajuda do Sebrae, a associação fechou um convênio com uma das principais redes de supermercados do Pará, que oferece degustação do produto. “O primeiro contato causa surpresa. Mas, depois de experimentar, o cliente se encanta”, conta Hávila Cristian de Aguiar Lima, promotora do beiju colorido.

Para obter as tonalidades e gostos distintos, basta peneirar a farinha até ela ficar bem fininha; misturar ao suco – que pode ser de beterraba, goiaba, acerola, maracujá, manga ou coco – à goma do beiju tradicional; levar ao forno à lenha e, depois, a uma chapa em alta temperatura. O resultado final é obtido em menos de um minuto. A escolha dos sabores é sazonal – depende do que está disponível na horta e no pomar.

A ideia de fabricar o chamado pão da terra em cores diferentes na localidade de Menino Jesus foi do gestor do escritório regional do Sebrae em Caetés (PA), Raimundo Edson de Souza Cunha. Em 2009, ele conheceu o produto, criado pelo agrônomo Joselito Mota, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, de Cruz das Almas, na Bahia, então em fase de experiência. Raimundo achou que seria uma boa alternativa para as mulheres da comunidade.

O gerente do Projeto Mandioca no Polo Regional de Capanema, Olavo Ramos Júnior, conta que o objetivo era criar uma oportunidade de renda para as mulheres. “A característica fundiária do lugar é de pequenas propriedades e a atividade econômica predominante é a produção de farinha de mandioca, uma tarefa essencialmente masculina. A produção de beiju colorido aproveitou a força de trabalho ociosa das mulheres”, conta Olavo.

Mas até o produto chegar às gôndolas dos supermercados no centro urbano da capital foram necessários três anos. Após concordarem com a proposta do Sebrae, as mulheres partiram para os cursos oferecidos pela instituição, como  o Sebraetec, metodologia de gestão com foco na inovação tecnológica, cursos de boas práticas na produção de alimentos e de gestão financeira.

Investimento

A antiga casa de farinha passou por reformas e o espaço de descanso da mandioca ficou exclusivamente para a fabricação dos beijus coloridos. Um forno e uma chapa especial foram adquiridos. O investimento chegou a R$ 30 mil.

Com ajuda dos pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), foi desenvolvido um beiju mais resistente ao tempo. Olavo Ramos, do Sebrae, explica que a produção do beiju estabilizou a renda das famílias envolvidas no projeto. “A farinha tem preço oscilante porque depende da oferta e da demanda. Com os investimentos foi possível planejar melhor a vida financeira da associação”, afirma.

A presidente da entidade, Francisca de Aguiar, aposta no crescimento das vendas. Segundo ela, após o lançamento do produto, no primeiro semestre de 2012, foram vendidos 900 pacotes de beiju em apenas dois dias. “Isso nos anima muito”, conta. Francisca planeja agora ampliar as instalações para melhorar os resultados econômicos do grupo. Segundo ela, a capacidade de produção está limitada atualmente. “Outros supermercados já nos procuraram, mas tivemos que recusar porque tudo o que produzimos já está comprometido”, afirma. 

Serviço:
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