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Política e Economia

China não é potência econômica, mas grande farsa desenvolvimentista

Crescimento da China, além de não ser factual, revela as incongruências e falácias do comunismo

Nada poderia ser mais equivocado ou incoerente do que referir-se a China como potência econômica, ou incluí-la no grupo dos chamados Tigres Asiáticos. Como qualquer país comunista, a China apresenta de forma proeminente um dos sintomas mais característicos e irrefutáveis deste pernicioso e improdutivo modelo econômico: o desenvolvimentismo. Na verdade, a República Popular da China, o país mais populoso do mundo – têm um bilhão e trezentos e oitenta milhões de habitantes – e o terceiro maior em extensão territorial, certamente qualifica-se como o melhor exemplo do globo terrestre neste aspecto.

Mas o que é desenvolvimentismo?

Desenvolvimentismo refere-se a um sistema de projetos de crescimento estatal planejado e centralizado, que têm por finalidade alavancar o progresso da nação. São políticas econômicas implementadas de forma ostensiva e contínua, que tem por objetivo final o derradeiro desenvolvimento civilizacional do país. O desenvolvimentismo, no entanto, não raro sofre com extrema e evidente escassez de resultados, em virtude do seu caráter notoriamente improfícuo e artificial. Ao contrário do desenvolvimento natural, que ocorre quando um indivíduo, ou grupos de indivíduos, depois de estabelecerem-se em um determinado local, gradualmente constrói uma cidade, um parque industrial ou um condomínio residencial, o desenvolvimentismo é resultado direto de políticas econômicas grandiloquentes, que buscam projetar sobre a nação um aspecto de elevada grandiosidade. Em função disso, o resultado é não raro desastroso: o país cresce apenas nas aparências. Por não ser um desenvolvimento natural, que surge de ideias espontâneas e da necessidade, o resultado final são irremediáveis e falaciosos projeto estruturais alicerçados mais nas aparências do que nos resultados, o que termina por abalizar uma improdutividade e um desperdício de recursos – especialmente mão de obra e capital – que vem a ser o alabastro do sistema comunista.

O desenvolvimentismo começou a manifestar-se na China assim que o comunismo tornou-se a força governamental predominante. Em 1958, pouco antes de Mao Tsé-Tung completar uma década no poder, o governo comunista chinês deu início a um projeto que se tornaria conhecido como O Grande Salto para Frente, que buscava transformar uma sociedade chinesa essencialmente agrícola em uma sofisticada e desenvolvida civilização socialista.

Cidades Fantasmas da China

Fadado ao fracasso desde o princípio, o Grande Salto para Frente tinha dentre seus inúmeros objetivos disponibilizar um sistema de produção em massa de alimentos nas zonas rurais do país. A nação seria então abastecida por projetos agrários coletivos, com regiões para cultivo extensamente ampliadas, de onde sairiam as provisões para todo o país. No entanto, irremediáveis falhas estruturais do projeto terminaram por causar a grande fome da China, responsável pela morte de aproximadamente cinquenta e cinco milhões de chineses (algo muito similar ocorreu na União Soviética décadas antes, e resultou no Holodomor, a grande fome responsável pela morte de aproximadamente dez milhões de ucranianos). Neste período, os chineses começaram a sentir as terríveis, maléficas e dramáticas consequências das drásticas, agressivas e coercitivas políticas desenvolvimentistas impostas pelo governo comunista.

No comunismo, o desenvolvimentismo não raro toma proporções descomunais e megalomaníacas, impostas por sombrios e inflexíveis projetos delineados por um intransigente nível de crescimento exponencialmente idealista, que busca grandes resultados em um escasso período de tempo, impossíveis de serem contemplados com veracidade e seriedade de forma realista.

Mas como o desenvolvimentismo manifesta-se na China contemporânea?

Dez cidades, aproximadamente, são construídas anualmente na China. Muitas delas não são apenas cidades, mas grandes metrópoles com possibilidades de abrigar um milhão de habitantes. Todos esses projetos urbanos são cuidadosamente elaborados, outorgados e arregimentados pelo governo, que, excessivamente preocupado com o crescimento do Produto Interno Bruto, descobriu que construir cidades, além de ser o caminho mais fácil para que as metas econômicas estabelecidas sejam atingidas, produz um nível favorável de crescimento com enorme potencial para atrair investidores estrangeiros.

No entanto, isso tem gerado um enorme problema. Todo este crescimento, além de fantasioso, é irrealista e potencialmente perigoso para a economia mundial. Ao construir cidades, condomínios, parques industriais e centros financeiros sem que haja demanda ou necessidade, o núcleo deficitário dos investimentos realizados fatalmente se acumulará até gerar uma destrutiva recessão. Uma prova incontestável desse fato são os 64 milhões de apartamentos vazios que existem hoje no país. O que não deixa de ser uma ironia mortificante: o número de chineses pobres e sem lar cresce a cada ano. No entanto, com uma renda aproximada de seis mil dólares por ano, a grande maioria dos chineses não pode se dar ao luxo de adquirir apartamentos no valor de cento e setenta mil dólares, sendo estes os mais baratos.

Mas o governo continua investindo na construção de novas cidades. Em virtude deste crescimento inadequado e irrealista, economistas ocidentais baseados em Hong Kong projetam e calculam especulações financeiras sobre o mercado imobiliário chinês, em uma tentativa de compreender o fenômeno, e prever quando ocorrerá a sua implosão.

O que vemos na China é o típico exemplo de capitalismo de estado improdutivo: os investimentos do governo não geram renda, não acumulam, produzem ou multiplicam capital, não geram empregos – salvo por um pequeno e curto período de tempo, enquanto as construções estão sendo edificadas –, não produz benefícios ou garantias sólidas, não gera liquidez. Em resumo, bilhões de dólares são desperdiçados anualmente, investidos em vão, sem um propósito útil ou construtivo. Tudo isso é realizado unicamente com o propósito de contemplar as metas de crescimento do PIB estabelecidas pelo governo comunista.

Como resultado de todos estes falaciosos empreendimentos megalomaníacos, hoje existem dezenas de cidades na China que encontram-se parcialmente ou completamente desabitadas. Destas, podemos citar Jing Jin, Tianduncheng, e Kangabashi, entre muitas outras, espalhadas pelo longo e vasto território chinês.

O desenvolvimentismo é inerente ao comunismo, porque tenta suprir a lacuna da ausência de um progresso que ocorre naturalmente em países capitalistas e democráticos. Projeções estatais centralizadoras jamais poderão suplantar o formidável nível de desenvolvimento espontâneo que grupos aleatórios de indivíduos, exercendo a plenitude das possibilidades que apenas a liberdade proporciona, conseguem alcançar. É por isso que uma sociedade mais livre e democrática como os Estados Unidos, por exemplo – que têm como mérito maior sua capacidade de impedir, ou, na pior das hipóteses, limitar os poderes do governo de sabotar ou comprometer o desenvolvimento da iniciativa privada e das possibilidades individuais – sempre foi e sempre será mais desenvolvida do que países como China ou Vietnã, sociedades aprisionadas pelo alabastro do terrorismo marxista estatizante, asfixiante e centralizador, e como consequência, tiveram suas possibilidades de progresso, bem como seu verdadeiro potencial, profundamente comprometido pelas impositivas e corrosivas demagogias do comunismo, e seu sintoma destrutivo mais evidente e paradoxal, o desenvolvimentismo.

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