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Cinco parasitas letais que cruzaram o mundo


Eventos globais como mudança climática e o comércio internacional já fizeram um número de perigosos parasitas surgirem em países que nunca tinham aparecido antes. Os parasitas, que podem invadir e causar dano a órgãos vitais como o cérebro, variam entre organismos de apenas uma célula a vermes relativamente grandes. Abaixo seguem cinco parasitas que, apesar de ainda raros, já apareceram em novos lugares.

1. Halicephalobus gingivalis

O Halicephalobus gingivalis é um nematóide que vive no solo. Este verme é geralmente inofensivo, mas, dependendo das condições, pode infectar humanos e animais. O H. gingivalis já é detectado em todo o mundo e causou doenças neurológicas em cavalos no Reino Unido, Japão, Canadá, Estados Unidos e Islândia.

Infecções humanas são raras e afetam apenas aqueles com o sistema imunológico enfraquecido (pacientes com câncer e HIV, por exemplo), mas o resultado é a sempre fatal meningoencefalomielite — uma inflamação do cérebro, medula espinhal e suas membranas. Esta foi a causa da trágica morte de dois pacientes que receberam rins infectados em novembro de 2014 no País de Gales.

O H. gingivalis coloniza o hospedeiro de formas diferentes, como pela ingestão de alimentos contaminados ou feridas na pele, e é geralmente descoberto apenas após a morte.

2. Taenia solium

A Taenia solium, popularmente conhecida como tênia ou solitária, pode causar crises epiléticas e outros problemas neurológicos em humanos que ingeriram ovos da larva. O chocamento dos ovos ocorre dentro dos intestinos, permitindo que a larva entre diretamente no fluxo sanguíneo, se instalando em diversos tipos de tecido do corpo.

Em alguns casos, a larva pode chegar até o cérebro e o sistema nervoso central, onde os embriões se desenvolvem em cistos causando a neurocisticercose, que pode resultar em convulsões e é uma das infeções parasitas do sistema nervoso central mais perigosas do mundo.

É difícil diagnosticas a neurocisticercose devido à falta de sintomas clínicos específicos. A doença — que normalmente afeta pessoas na América do Sul, Ásia e a África subsariana — é rara em países desenvolvidos, mas alguns casos já foram reportados no Reino Unido e nos EUA.

3. Ameba comedora de cérebros: Naegleria fowleri

Naegleria fowleri, conhecida por ameba comedora de cérebros, é um ser unicelular de vida livre que prospera em corpos quentes ou água. Este parasita pode causar uma rara infecção cerebral chamada meningoencefalite, que provoca uma inflamação severa no cérebro. Esta ameba também é a origem de diversos outros sintomas neurológicos, e sua letalidade é estimada em quase 100%.

Se água contendo a ameba entra pelo nariz, o parasita pode viajar pelos nervos olfatórios – responsáveis por detectar moléculas de odores – e transmiti-las como sinais para o cérebro. Os sintomas iniciais aparecem em menos de uma semana depois da infecção e incluem febre, dor de cabeça, náuseas, torcicolo e vômito. Conforme a infecção avança, o paciente desenvolve déficit de atenção, perda de equilíbrio, convulsões, alucinações e finalmente coma e morte.

O parasita foi detectado na América do Sul e na Ásia, mas casos já foram reportados na Austrália, nos Estados Unidos e no Reino Unido.

A infecção da Naegleria fowleri é diagnosticada por examinação microscópica do fluido presente no sistema nervoso central, onde a atividade da ameba pode ser detectada.

A Sappinia pedata, outra ameba de vida livre encontrada em água, foi reportada em um paciente de 38 anos com sintomas neurológicos no Texas.

4. Verme do pulmão: Cryptostrongylus pulmoni

O verme do pulmão é uma lombriga microscópica que pode ser encontrada no sangue do hospedeiro. Já foi identificado que este parasita secreta moléculas biológicas que podem causar dano a funções cerebrais.

O diagnóstico é difícil devido à falta de sinais clínicos específicos, especialmente quando múltiplos órgãos são afetados. A infecção pelo C. pulmoni ainda é difícil de determinar, e é possível que certos subtipos parasitas ainda precisem ser identificados. Um estudo dos EUA conecta o C. pulmoni com o desenvolvimento da síndrome de fatiga crônica.

5. Spirometra erinaceieuropae

A Spirometra erinaceieuropae é uma espécie rara de lombriga que passa parte da vida em anfíbios e crustáceos antes de se mudar para gatos e cachorros durante o ciclo final da vida.

Os humanos são considerados hospedeiros acidentais para esta espécie de verme. Enquanto vive em uma pessoa, este parasita não atinge a maturidade. As infecções do S. erinaceieuropae — conhecidas por esparganose — são geralmente importadas de áreas da China.

Em um caso recente, um homem britânico teve dores de cabeça, convulsões e perda de memória por quatro anos até descobrir que elas eram causadas pelo S. erinaceieuropae. Este parasita foi detectado apenas 300 vezes no mundo inteiro na metade do último século, e nunca tinha sido visto no Reino Unido até então.

A infecção é adquirida ao beber água contendo crustáceos infectados, ingerindo répteis e sapos crus, ou utilizando emplastro de sapo cru para curar dor nos olhos. As infecções do Spirometra são caracterizadas pelo surgimento de grandes nódulos embaixo da pele e inchaço dos músculos que controlam os movimentos dos olhos. A infeção também pode envolver o cérebro e a medula espinhal. O diagnóstico da infecção é obtido pela biópsia da lesão.

Apesar de não serem comuns, as infecção do cérebro são reais e representam um grande desafio para seu diagnóstico e tratamento. As doenças causadas por elas não devem ser tratadas com negligência ou como exóticas, porque casos humanos foram reportados recentemente e em países com alto padrão de saúde e de serviços médicos. Entender a interação entre hospedeiro e parasita é um passo fundamental para desenvolver intervenções e tratamentos para estes horrores parasitas.

Este artigo foi originalmente postado no The Conversation. Leia o arquito original aqui. Hany Elsheikha é um Professor Associado de Parasitologia da Universidade de Nottingham.

Imagem de capa por DiscoveryTV sob licença Creative Commons

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