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Persuasão: o poder da palavra e do conhecimento


Persuasão: o poder da palavra e do conhecimentoPode passar despercebido, mas muito coisa ao nosso redor tem um motivo para estar ali, e daquele jeito que foi posto! Especificando um pouco mais, todas as informações que são passadas pra gente têm um propósito, seja estritamente informativa ou manipuladora, mas essa segunda opção quase sempre passa despercebida. Motivo: o poder da palavra e do conhecimento!

Marketing, merchandising, outdoors, jornais, televisão, rádio, revistas, livros, internet, etc, etc e etc… Nesse nosso mundo globalizado são muitos os meios de comunicação que estão disponíveis para nos mantermos ligados a tudo o que está acontecendo na nossa rua, bairro, cidade.. ou mesmo no mundo inteiro. Porém, o que eu considero uma característica marcante da fase atual do capitalismo, geopolítica e globalização atuais, é a ocultação. Existem muitas coisas por trás de fatos e informações que nos são passadas e que, portanto, não tomamos conhecimento. Isso não é falha da comunicação, é o uso manipulado dela. Não vale a pena para a mídia divulgar informações “preciosas” que fazem as pessoas passem a questionar determinadas “coisas”.

Além da omissão, uma outra característica muito significante dos sistemas de informações atuais são as formas de qualificar/representar determinados “substantivos. Para deixar mais nítido essa ideia, refiro-me à forma com que a imprensa, por exemplo, determina um grupo de oposição ao governo vigente de um país, chamando-lhes de “rebeldes”. Nesse exemplo, a palavra “rebelde” é designada a esse grupo devido ao fato de este rebelir-se contra o governo, fazendo manifestos e protestos, ocupando ruas, etc.

Essa característica faz a mídia determinar esse grupo de rebelde com o intuito de fazercom que os espectadores pensem que eles são pessoas de má índole e que usam a violência em prol de algo que é apenas de interesse deles, quando na verdade o que ocorre é o contrário. Essas pessoas estão em busca de um bem comum que não é reconhecido pela maioria por conta da maneira com que seus atos são divulgados na imprensa.

Um exemplo mais notório dessa minha ideia exposta aqui foi o que aconteceu no município de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo. No primeiro semestre de 2011 houve reajuste/aumento na passagem da tarifa dos ônibus do transporte coletivo, o que provocou a insatisfação dos estudantes (com destaque para os estudantes da rede federal de ensino, IFES e, principalmente da UFES). Os estudantes foram às ruas e ocuparam importantes avenidas. Resultado: trânsito caótico, muita reclamação dos que passavam e estavam na capital capixaba e confronto com a polícia. O primeiro dia de protestos foi o mais tumultuado, e como declararam os próprios estudantes, houve falta de organização.

As manifestações seguintes contaram com uma intensa divulgação nas redes sociais (principalmente Twitter e Facebook). Milhares de pessoas confirmaram presença. Houve estudantes que desceram dos ônibus e entraram no “bolo” de pessoas em passeata, dessa vez, com um planejamento já pré-estabelecido. Foi possível, inclusive, acompanhar as manifestações ao vivo, em vídeo pela internet e via informações no Twitter.

A respeito desse protesto, denominado de “ProtestoGV” (Protesto Grande Vitória, que ganhou comunidade no Orkut, página no Facebook, Twitter e blog), o que pretendo destacar é o acompanhamento da imprensa, como os fatos foram reproduzidos pela mídia. Pois bem… como já comentei no parágrafo anterior, houve confronto com a polícia. O BME (Batalhão de Missões Especiais da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo) foi o grupo militar que interveio nas manifestações. Estudantes foram agredidos, feridos, tratados de maneira extremamente covarde, como se fossem bandidos. Pessoas que apenas passavam pelo local (onde estavam acontecendo os protestos) também foram agredidas. Houve até prisões.

Com isso, o termo “vândalos” foi como a mídia impressa denominou aqueles estudantes que estavam apenas reivindicando um direito. É importante relevar que, durante os protestos, principalmente no primeiro dia, pessoas que não tinham nenhuma relação com o manifesto e talvez sequer sabiam o motivo daquele movimento aproveitaram a situação para causar tumultos maiores. Vale também ressaltar que o governo não mostrou-se a postos para conversa.

Contudo, pretendo expressar como um veículo que deveria apenas repassar fatos por meio de informações as manipula de modo a passar para o público aquilo que é apenas do interesse da imprensa divulgar, e da maneira com que ela trata o fato.

Uma outra situação de manipulação das palavras são os livros. Os autores, claro, por serem os escritores, têm autonomia para se expressarem, e assim como a comunicação, suas obras podem levar os leitores a uma lavagem cerebral. Talvez no caso dos livros essa manipulação pode ser pior porque é mais intensa, já que geralmente os livros abordam assuntos/temas específicos, entrando mais a fundo na contextualização e conquistando cada vez mais a confiança daquele que está lendo.

Livros polêmicos como “O Código Da Vinci”, por exemplo, podem inclusive fazer pessoas mudarem alguns aspectos de sua personalidade e crenças. Livros científicos também podem se encaixar nesse aspecto, principalmente se tratando de questões que são discutidas na academia, que têm conceitos diferentes, abordados por obras e autores diferentes, que tentam fazer o acadêmico ficar com a proposta de dado autor. Ou então, o livro pode até ter um conteúdo significante, mas se não houver também inteligência na utilização das palavras, não conseguirá conquistar ninguém.

Para poder controlar as palavras há necessidade de conhecê-las, daí a importância de ter um extenso vocabulário e conhecimento geral da língua em que se pretende utilizar. Entretanto, não basta o conhecimento de gramática (e etc.), basta ter o domínio do assunto que está sendo colocado em pauta. Refiro-me aos conhecimentos científico, filosófico, teológico e empírico. Além disso, fora exclusivamente da escrita, a expressão por meio da fala também é uma arma para manobras das palavras. Quem fala bem tem um incrível poder em mãos, ou melhor, em sua voz.

Para tanto, em considerações finais e para sintetizar todo o texto, considero o poder da palavra e do conhecimento como as principais fontes da persuasão. Pelos exemplos que você leu anteriormente, podemos perceber que “persuadir” é um verbo bastante praticado em nosso cotidiano, e quase nunca nos damos conta disso. Portanto, tome cuidado com o que é passado para você. Tenha sempre mais de uma fonte para ficar informado, não acredite na primeira fala que ouvir, no primeiro texto que lê. Tenha senso crítico! Você não precisa ser uma marionete ou um fantoche.

Por Ronald Pereira, estudante de geografia pela Universidade Federal do Espírito Santo. @RnaldPereira

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