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SE O SEU LEITOR ESTÁ NO FACEBOOK, VÁ ATÉ ELE: SÓ O PÓ, O PRIMEIRO LIVRO PUBLICADO NA REDE SOCIAL


Bienal do Livro rolando, cheio de gente que ama papel (e letras também, claro), e fora disso surge um lançamento interessante, longe desse meio tradicional: um facenovel (atenção, não confundir com a descrição do Urban Dictionary!).

so o po youpix

O livro Só o Pó tem uma proposta super diferente: todo dia (exceto domingos) é publicado um capítulo novo na página do Facebook, junto tem também músicas e fotos que remetem aos personagens ou às situações e até diálogos que rolariam entre os personagens via Facebook. A autora é Claudia Grechi Steiner, jornalista, já trabalhou na Bizz/Showbizz, Trip, UOL e agora mora na Suíça.

O livro fala do relacionamento de quatro grandes amigos, jornalistas do final dos anos 1990 que, depois de 15 anos, agora só conversam pela rede social. O primeiro capítulo foi publicado no dia 8 de agosto, teve 16 likes e 4 compartilhamentos. Atualmente, a página tem 323 fãs (e crescendo!), 7 álbuns e 58 imagens, entre referências e capas. Veja aqui o trailer do livro.

Em um papo rápido pelo Facebook com a autora, ela contou que a ideia surgiu quando ela pensou em fazer um livro sobre o Facebook, sobre a realidade aumentada da atualidade. Mas depois de refletir, ela percebeu que o próprio livro tinha que estar na rede, como um meta-livro. Ela foi atrás e encontrou essa página do Zwirbler que publica textos desde 2009, sendo o primeiro novel do Facebook.

Além dessa experiência, houve também o case apresentado pelo Mário Prata no II Fórum Brasileiro de Literatura sobre o experimento dele com Os Anjos de Badaró. O processo de escrever o livro foi acompanhado de perto por quem acessava o site dele: os textos eram postados pro pessoal ler e opinar, e no final, o resultado foi publicado pela Editora Planeta.

No caso de Só o Pó, a história já está planejada (inclusive os capítulos já estão escritos) pra um mês inteiro, mas conforme as coisas vão acontecendo, a autora pode continuar. Se rolar ser publicada em papel mesmo, beleza, mas esse não é o objetivo principal.

E todo mundo já se deparou com aquele momento “NÃO ACREDITO QUE O FULANO VAI MORRER AI NÃO SOCORRO VOU LARGAR ESSE LIVRO!!!”. A Claudia espera que role uma interação forte com os leitores, justamente pelo livro online possibilitar isso. Já pensou poder chegar no seu autor favorito e falar “Escuta, pra que matar aquele personagem? Ele era tão bom…”? Deve ser irado!

Só o Pó não é uma obra próxima da internet, ela está na internet. Com isso, questões como propriedade intelectual e direitos autorais entram em jogo. Pra escritora, é inevitável correr o risco. “Mas se rolasse um memezinho estilo da Clarice Lispector eu ia adorar!”

Será que podemos esperar mais obras metalinguísticas assim? Fica a dica pros novos escritores, afinal o blog sempre foi uma vitrine do trabalho de alguns, por que não explorar as redes sociais também?

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