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Twitter e o fim da unanimidade


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Creative Commons License foto: Jéssica Donegá

Maria Bethânia, Thomas do Restart e Xuxa são algumas das celebridades que já sentiram o gosto amargo que uma polêmica no Twitter pode deixar. Xuxa, inclusive, ajudando a aumentar o folclore em torno do microblog dizendo para quem quisesse ouvir que nós não éramos dignos de falar com ela e o seu anjo.

O que é compreensível, já que falta aos nossos famosos relaxar mais e adquirir um pouco do savoir faire dos norte-americanos, que permite que Michael Bolton aceite ser sacaneado no “I Love the 90s” ou que Al Gore apareça em “30 Rock” se auto-parodiando em sua cruzada ecológica.

Mas não no Brasil. Afinal somos um povo ordeiro e pacífico e, aqui, celebridade e mídia raramente entram em conflito. Todo ator é talentoso, todo músico da MPB é um gênio e todo filme está colaborando para que a gente chegue cada vez mais perto de Hollywood.

Quer dizer, pelo menos na cabeça de quem faz parte do nosso star system.

Até que surgiu o Twitter.

De repente os famosos desse nosso Brasil de meu Deus se ligaram que certas unanimidades não eram tão unanimidades assim. Um dia você está numa boa na capa da Caras, mas no outro periga ter virado hashtag e se ver ridicularizado por milhares de pessoas em algum trending topic da vida. E aquela verba amiga, que rolava todo ano via renúncia fiscal, em um passe de mágica vira um escândalo nacional reproduzido em um retweet atrás do outro, como uma ninhada de gremlins descontrolados.

Obviamente que sempre existiu o assunto do dia ou o escândalo da vez, que toma o nosso tempo em debates na fila do banco ou bebendo uma cachaça com os camaradas no boteco da esquina. Ou até mesmo um ou outro site que reverberava os assuntos mais quentes da semana ou sacaneava aqui e ali as nossas celebridades.

A diferença é que, agora, não se trata de manifestações isoladas, mas um único canal no qual todo mundo pode dizer o que pensa ao mesmo tempo. Sem o filtro de jornalistas, articulistas ou coisa que o valha, apenas o cidadão comum abrindo a boca para falar o que lhe dá na telha.

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Pense bem: fosse há 15 anos, que repercussão teria o escândalo do blog de poesias de Maria Bethânia? Um texto do Diogo Mainardi, duas cartas na seção de leitores da Folha, um manifesto em algum site hospedado no Geocities e o que mais?

Assim seria fácil para ela ou o Caetano colocar a culpa na imprensa ressentida de São Paulo, no PIG ou no Conselho dos Sabios do Sião. E mais uma vez os medalhões da MPB continuariam por cima da carne seca, se auto-afirmando como unanimidades musicais, e a vida aqui no Hemisfério Sul seguiria o seu curso normal.

Mas como apontar um complô da “Imprensa Golpista” e afirmar a própria importância quando é possível provar que quem está jogando pedra são 15, 20, 30 mil pessoas ao mesmo tempo?

Talvez seja essa a grande lição que as redes sociais podem ensinar às celebridades brasileiras, que existe um mundo que vai além dos colegas de panela e dos afagos da imprensa amiga. A matéria de capa no caderno de cultura e o elogio do apresentador de TV agora convivem com xingamentos, críticas inteligentes, conclusões apressadas, humor genial e piadas sem graça.

E pairando ameaçadoramente sobre tudo o temível trending topic.

Seria bom se a experiência das celebridades brasileiras com o Twitter servisse para que aprendessem um pouco mais sobre elas mesmas e sobre quem as consome como produto da indústria do entretenimento. Talvez assim elas entendessem que “sucesso” e “unanimidade” são conceitos um tanto quanto relativos e que, em alguns casos, pode ser que o artista não represente tanta gente assim quanto pensa.

São as novas regras do jogo e não há saída a não ser aceitá-las. E não adianta dar chilique em entrevista ou nos proibir de falar com você e com o seu anjo.

ee b feedPost originalmente publicado no Brainstorm #9
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