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Colaborativo

A vida e a história de Muhammad Yunus


A paz duradoura não pode ser atingida a menos que grandes grupos da população encontrem formas de sair da pobreza

Essa é uma das frases atribuídas a Muhammad Yunus, economista e banqueiro de Bangladesh, um pequeno e extremamente povoado país asiático. Pelo seu projeto, foi comtemplado com o Prêmio Nobel da Paz do ano de 2006.

Apesar do título de banqueiro, que muitas vezes pode expressar ganância, egoísmo e avareza, Muhammad é um dos maiores exemplos para empreendedores que sonham em fazer a diferença, criar oportunidades e tornar o mundo um lugar mais justo com equidade de direitos para todos.

Partindo da premissa de que o crédito (ou empréstimo) é um direito comum a todos, Muhammad Yunus criou o Banco Grameen e praticamente lançou o termo “microcrédito” para o mundo.

Esse banco, que nasceu em 1976 em uma pequena aldeia de Bangladesh onde o nível de pobreza atingia patamares exorbitantes, tinha por objetivos desenvolver melhores formas de crédito para população mais carente, com juros menores e sem garantias; acabar com a atuação de agiotas e oferecer oportunidades de auto-emprego para muitos desempregados na área rural de Bangladesh.

Muhammad Yunus nasceu em 1940 e conviveu com a pobreza por perto praticamente por toda a sua vida.

Seu pai vendia joias e sempre fez de tudo para que seus filhos estudassem e se formassem para terem uma vida mais “digna”.

Porém, foram a bondade e a presteza de sua mãe, Sofia Khatun, que serviram como fonte de inspiração para seu sonho de erradicar a pobreza.

Sofia socorria inúmeros pobres que procuravam por ela em sua casa, com uma atenção e dedicação que marcaram os ideais de

Muhammad Yunus

Muhammad Yunus.

Muhammad.

O sonho do seu pai se concretizou e Muhammad se formou em economia no ano de 1961. Daí continuou estudando e trabalhando, até conseguir o título de PhD nos EUA, em 1970.

Nesse período, lecionou algumas disciplinas de economia na Universidade do Médio Tennessee. Mas a vontade de voltar para seu país de origem falou mais alto e, pouco tempo depois, já estava lecionando teoria econômica na Universidade de Chittagong, em Bangladesh.

E foi em uma dessas aulas que Muhammad, apesar de toda sua motivação e entusiasmo para ensinar os conceitos e macetes da teoria econômica, viu que estes não ofereciam as respostas e soluções aos problemas reais de seu país (na época, em 1974, uma terrível fome assolou o país e os grandes prejudicados eram os mais pobres, que literalmente morriam de fome).

Decidiu então ir atrás da “verdadeira economia”, a da vida real, pesquisando com seus alunos o que se passava em uma pequena aldeia perto da Universidade que lecionava. Essas descobertas levaram ao surgimento do Banco Grameen.

Por exemplo, Muhammad conheceu Sufia Begum, uma jovem de 21 anos, analfabeta, que lutava desesperadamente para sobreviver com seus filhos.

Ela fazia tamboretes de bambu e vendia para a pessoa que lhe emprestava dinheiro. Porém, essa pessoa (agiota), cobrava altos juros e explorava ao máximo Sufia, que sempre cumpria com sua dívida (ele lhe cobrava 10% ao dia). O que sobrava para Sufia era um “lucro” irrisório de aproximadamente 2 centavos de dólar.

Isso revoltou Muhammad, que viu uma oportunidade para ajudar essas pessoas de uma forma mais justa, dando-lhe oportunidades para crescer, e não as explorando.

Foi assim, então, que surgiu o projeto que foi coroado com o Prêmio Nobel da Paz em 2006.

Milhares de famílias já deixaram o nível de pobreza por conta disso. São negócios extremamente pequenos que são financiados, muitas vezes, por pouco dinheiro, e os juros cobrados são baseados na taxa básica (no caso do Brasil, seria a Selic).

O dinheiro é destinado para a formação do Capital Social da empresa e são concedidos, geralmente, por instituições sem fins lucrativos ou por instituições cuja propriedade é controlada, majoritariamente, pelos próprios tomadores.

E para todos os céticos que duvidam dessa ideia genial, o índice de inadimplência do banco é de apenas 1%.

Eis mais um exemplo para refletirmos. Ao contrário do que o Capitalismo parece pregar, estamos aqui para servir e crescermos juntos, dando oportunidades e atenção para toda a população.

O poder de “se colocar na pele do outro” é um grande exercício que nos faz chegar a essa conclusão.

E, para quem ainda acredita que a boa intenção não leva a lugar nenhum, o banco Grameen já movimentou quase 6 bilhões de dólares, conta com mais de 12 mil funcionários e já fez com que 12 milhões de cidadãos saíssem da linha de pobreza.

Precisamos de mais gente com essa mesma vontade de mudar, melhorar e continuar sonhando com o mundo melhor. Quem se habilita?

“Estou profundamente convencido de que podemos livrar o mundo da pobreza se estivermos determinados a isso. Essa conclusão não é fruto de uma esperança crédula, mas o resultado concreto da experiência que adquirimos em nossa prática do microcrédito” – Muhammad Yunus.

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Este artigo foi escrito por Abdala Rezek Filho, estudante de Administração de Empresas e escritor.

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