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O que psicopatas e CEOs têm em comum?

Psicopatas e CEOs?

De acordo com “The Wisdom of Psychopaths”, novo livro de Kevin Dutton, sim, os psicopatas podem ser excelentes CEOs.


De acordo com “The Wisdom of Psychopaths”, novo livro de Kevin Dutton, sim, os psicopatas podem ser excelentes CEOs.

Prosperar em um ambiente em rítimo acelerado, trabalhar sobre pressão; se forem ambiciosos, melhor ainda. Essas são as características mais encontradas nas descrições de oportunidades de trabalho hoje em dia.

Se a sua empresa está contratando, certamente pode ter usado um desses requisitos para recrutar. Principalmente o trabalho sob pressão, que é comumente utilizado.

Dito isso, e juntando todas as características necessárias para um cargo de alta chefia – como CEO – o candidato ideal poderia muito bem ser um psicopata.

Não se assuste. Eles estão diretamente ligados aos perfis de assassinos, estupradores e outros criminosos violentos e nomes como John Wayne Gacy, Hannibal Lecter e Ted Bunny naturalmente vêm à nossa mente de imediato (ou outros, como os “maníacos” espalhados Brasil a fora).

Mas, de acordo com o psicólogo Kevin Dutton, existe um outro lado sobre os psicopatas.

Você acredita em psicopata bonzinho?

Você acredita em psicopata bonzinho?

“Psicopatas aparacem, como pessoas que possuem características de personalidades que muitos de nós morreríamos para ter”, escreve Dutton.

Características como persuasão excepcional, charme cativante, e foco altamente afiado em ambientes sob imensa pressão (como em zonas de guerra), parecem surgir naturalmente para os psicopatas. E, para apoiar essa afirmação, Dutton apresenta uma bateria de séculos de pesquisa que embasam o seu estudo.

Além disso, ele embarca em uma jornada de investigação rumo às profundezas da psicopatia moderna, como inúmeras conversas com pesquisadores, policias e agentes da lei e, porque não, os próprios psicopatas.

Ele ainda participa de um experimento aonde seu cérebro fica eletromagneticamente induzido a funcionar da maneira como um psicopata opera normalmente.

Mas, a clara descrição da psicopatia que Dutton estudou vem do livro “The Mask os Sanity”, de Hervey M. Cleckley, um médico norte-americano.

Parafrasenado Cleckley, Dutton descreve o personagem enigmático do psicopata como “uma pessoa inteligente, que se caracteriza por sua pobreza de emoções, ausência da vergonha, egocentrismo, charme superficial, falta de culpa, falta de ansiedade, imunidade a punição, imprevisibilidade, irresponsabilidade, manipulação e um estilo de vida transitória interpessoal”.

É saudável a presença de psicopatas nas empresas?

É saudável a presença de psicopatas nas empresas?

Isso parece familiar com algum colega – ou chefe – de trabalho?

Muitos dessas qualidades – não todas – são comumente atribuídas aos CEOs de sucesso, cirurgiões famosos, advogados e até mesmo a presidentes.

Por falar em presidentes, Dutton refere-se a uma análise de personalidade feita em 2010 e enviada aos biógrafos de cada comandante de estado norte- americano que mostraram que um grande número de presidentes dos EUA exibiu distintos traços psicopáticos, entre eles John F. Kennedy e Bill Clinton.

Outro pesquisador, Robert Hare, enviou uma lista de verificações sobre a psicopatia (um teste chamado PCL-R) para mais de 200 executivos no mesmo ano e comparou os resultados com a população em geral.

“Não apenas os executivos saem na frente, mas habilidades como carisma, criatividade, pensamento estratégico e excelentes habilidades de comunicação foram diretamente associadas à psicopatia”, escreve Dutton.

Então, o que da tal talento aos psicopatas, a capacidade de ser frio, mesmo quando estão encarando a morte com os olhos? Tudo se resume aos cérebros, pelo que parece.

Para a grande maioria de nós, quando confrontrados com situações de estresse – seja uma prova, um filme, ou em um confronto direto – as partes do cérebro que respondem ativamente à dor, pânico e outras emoções gritam em alta velocidade.

Para os psicopatas, acontece o oposto. Eles até se acalmam durante esses momentos de tensão elevada.

Dutton argumenta que, os psicopatas exibem um tipo de auto-controle emocional natural, que os monges tibetanos e soldados de elite passam muitos anos em desenvolvimento. Com isso, eles são as pessoas certas para um mundo cruel, incerto e perigoso.

Porém, não podemos falar bem de uma coisa como a psicopatia. Não podemos esquecer que o mundo está repleto de grandes assassinos seriais e que nã podemos relacionar esse comportamento com alguma atitude “bacana”.

Bill Clinton: exemplo de traços de psicopatia?

Bill Clinton: exemplo de traços de psicopatia?

Mas o o que separa os dois tipos?

A resposta, complicada, afirma que se trata de um misto de auto-controle  e hanilidades sociais. “O destino de um psicopata depende de uma série de fatores, incluindo genes, antecedentes familiares, educação, inteligência e oportunidade”, afirma Dutton.

Então, assassinatos e crimes hediondos à parte, devemos todos abraçar o nosso psicopata interior se quisermos vencer na vida?

Não é bem assim. Mas, Dutton oferece algumas habilidades que os não psicopatas precisam trabalhar para conseguir melhorar a carreira.

Entre elas: resistência mental, foco e atenção. Dutton observa ainda que os terapeutas cogitivos comportamentais só foram ajudar seus pacientes a desenvolver essas qualidades há muito pouco tempo. Os budistas já sabem sobre isso há alguns séculos.

Mas, o argumento de Dutton fica meio nebuloso quando ele se aventura fora do seu campo da psicologia. Em um ponto, ele sugere que os traços psicopatas podem ser especialmente relevantes no mundo empresarial de hoje, incitando que “o novo milênio, aparentemente, deu início a uma onda de criminalidade corporativa como nenhum outro”.

Dutton pode até estar certo, mas ele faz uma grande suposição baseada em suas estatísticas e estudos. Obviamente, todos estamos assustados com resceções, escândalos e demissões de CEOs em grandes empresas, e a maneira com que muitas pessoas simplesmente escaparam das suas punições.

Será que podemos associar isso ao mensalão. Ou estamos indo longe demais?

Com a concorrência em vários mercados de trabalho, e um penhasco fiscal acontecendo nos EUA, e na Europa um estado de incerteza econômica, o mundo de trabalho hoje pode facilmente se transformar em um lugar obscuro. E, nesse mundo, um pouco de psicopatia pode ter um longo caminho.

Ou não.

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Esse artigo foi inspirado e adaptado do original “Do psychopaths make good CEOs?”, dos blogs da revista Fortune.

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