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A teoria da boa sorte nos negócios


Um jovem de 23 anos, estudante tecnologia da informação, pede a sua mãe que lhe dê R$ 50 mil para investir, com dois amigos, numa empresa start-up, fruto de uma ideia criativa que ti­veram e que iria ser o maior sucesso. Bastava que ela lhe desse o dinheiro, que serviria de capital inicial do novo empreendimento. Sua mãe, no entanto, resiste e não leva aquele pedido muito a sério.

Mas o jovem estava apaixonado, obcecado mesmo por sua ideia, como costuma acontecer com quase todos os empreendedores iniciantes. Ele não lhe dava trégua, argumentando que estava diante de uma oportunidade de vida, muito além de uma oportunidade de negócio.

A mãe decidiu então tirar aquilo a limpo. Ela não entendia nada de em­presas. Mas, professora de matemática, entendia de números. E sua intuição dizia que os negócios deveriam ter como base os números. Começou seu mergulho no mundo empresarial lendo tudo o que os especialistas consultores, professores, contadores, administrado­res e economistas diziam a respeito do que era importante e necessário para se alcançar êxito num empreendimento empresarial.

Ela ficou impressionada com o nú­mero de variáveis que encontrou como essenciais para o sucesso nos negócios: liderança, plano de negócios, espírito empreendedor, capital de giro, indica­dores, foco e muitíssimo mais. Como não teria tempo para entender o conte­údo de cada variável para tomar sua de­cisão de dar ou não dinheiro a seu filho, resolveu trabalhar matematicamente só com as variáveis.

Assim, organizou as informações dos especialistas em três agrupamen­tos: o empreendedor em si, a empresa em si e o mercado.

Relativamente aos atributos do em­preendedor em si, catalogou mais de 25 características desejáveis que aumen­tam a possibilidade de êxito do empre­endimento. Quanto à empresa em si, listou mais de 20 variáveis que devem ser dominadas pelo empreendedor para o êxito do negócio. Listou também mais de 20 características que tornam o mercado mais favorável ao sucesso de um empreendimento particular.

De tudo quanto leu, a mãe perce­beu que algumas orientações dos es­pecialistas se repetiam, como o plane­jamento estratégico, inovação e outras. Mas havia uma variável que era quase unânime: mudança. Todos concorda­vam que no mundo dos negócios tudo muda o tempo todo. Cada transação é praticamente um evento novo.

Ela tomou esta verdade como base para montar sua equação. Imaginou um total de 30 variáveis (10 de mercado, 10 da empresa e 10 do empreendedor em si) que estão em jogo em cada transa­ção. Ao oferecer um produto ou servi­ço, a empresa tem que acertar, das 30 variáveis em jogo, quatro variáveis (por exemplo: produto, preço, comerciali­zação e comunicação) que combinem com as necessidades específicas daque­la transação. Com isto, ela pode calcu­lar (por uma combinação simples de 30 elementos tomados quatro a quatro) a probabilidade de acerto em cada tran­sação.

Ao fazer as contas, ela ficou choca­da. Deparou-se com uma probabilidade de êxito de 0,003648% em cada transa­ção. Algo semelhante a jogos de azar, como a Mega Sena.

A partir desta constatação, ela come­çou a compreender algumas afirmações dos especialistas, como a necessidade da persistência, da geração de caixa, do lucro, da reserva financeira. Para ela fi­cou muito cristalino que o jogo empre­sarial é, literalmente, um jogo. E, sendo assim, a única variável que jamais pode faltar é o dinheiro (ou capital). Sem dinheiro não há como prosseguir, não há como tentar a próxima rodada (tran­sação). Compreendeu também a insis­tência dos especialistas que dizem que o empreendedor deve sempre buscar o conhecimento. Diferentemente da Mega-Sena, no jogo empresarial quanto mais se joga mais se aprende. E quanto mais se conhece do jogo mais aumenta a possibilidade de êxito.

Nesta busca, a mãe, professora de matemática, descobriu a teoria da boa sorte em negócios. Se há capital, pode-se tentar. Se há reserva financeira acu­mulada, continuamos no jogo. Quanto mais se tenta, ou se joga, mais aumenta a nossa sorte. Muitos, por não compre­enderem esta teoria, metem a mão no baleiro (no caixa da empresa) tão logo tenha reserva. Mal sabem que basta mu­dar o clima para o vinhedo não ter mais a mesma qualidade, e aí não haverá mais compradores. Sem compradores, não há capital. Sem capital, estamos fora do jogo. Na linguagem empresa­rial, estaremos quebrados.

A mãe mentalmente sintetizou a descoberta de sua teoria (dinheiro + tentativa = aumento de sorte empre­sarial) e tomou sua decisão. Com a re­comendação de multiplicar o dinheiro o mais rápido possível, o filho da mãe recebeu R$ 500, ou seja, 1% do que havia solicitado. Se tivesse êxito, rece­beria um valor maior. Caso contrário, a mãe ainda poderia lhe emprestar ou­tros R$ 500 e outros mais, até que ele tivesse tentado tantas vezes que domi­ 2013

nasse o jogo empresarial. Depois das apostas pequenas, seria a vez da aposta grande.

Ela sabia que se desse os R$ 50 mil, o filho só poderia tentar o sucesso do seu empreendimento uma única vez. Neste caso, as chances estariam todas contra ele, pois contrariaria a teoria recém-descoberta da boa sorte em em­preendimentos empresariais.

A mãe, que não entende nada de empresas, iniciou um “novo empreen­dedorismo”. Para tornar seu filho um empresário rico e feliz, desejou a ele boa sorte. Mas, agora, esta expressão deixou de ser um simples desejo. Pas­sou a significar uma ação concreta, com aporte de dinheiro numa aposta em­presarial. Uma aposta em que se pode tentar o êxito por várias e várias vezes.

Então, acumule boa sorte em 2014!

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