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Jornalismo digital: pelo fim da guerra entre homens e robôs


Jornalismo digital: pelo fim da guerra entre homens e robôs
O medo de que os robôs possam substituir as atividades
humanas, nas mais diversas áreas, continua a afligir a sociedade, o que gera
debates de distintos cunhos, níveis e relevância. Em artigo publicado na Folha Online, Evgeny Morozov,
analista da New America Foundation, levanta a possibilidade de que os
jornalistas tenham seu trabalho substituído gradativamente por robôs.
A razão da desconfiança é o surgimento de empresas como
Narrative
Science
 que consegue transformar dados em notícias prontas para serem
publicadas em qualquer jornal. Focadas em atender alguns nichos como o
econômico ou o esportivo, o software da empresa transforma informações sobre
eventos como a alta do dólar, a queda da bolsa ou a lesão de um jogador de um
futebol em notícia em aproximadamente 1 segundo.
Sou inteiramente a favor da utilização da tecnologia na
melhora da qualidade da produção jornalística ou de qualquer outra atividade. É
a máquina como extensão das capacidades do homem, facilitando o que nos é
custoso e desnecessário, e nos substituindo naquilo que ela pode fazer melhor.
O jornalista não precisa escrever a mesma notícia sobre a variação do dólar todos os dias.
Lembro de uma frase de um engenheiro da Audi ao comentar
o altíssimo nível de mecanização da empresa, na qual ele afirmava que os robôs
lhe permitiam economizar nos gastos de mão-de-obra barata e investir em
profissionais de alta qualificação, que possam trazer ideias, projetos e
inovação. Felizmente, eu acredito, estamos num momento que valoriza mais o
pensamento e as faculdades mentais do que as habilidades braçais.
Os jornalistas terão mais tempo para investir em matérias
analíticas e aprofundadas. No mundo da comunicação, hoje, fala-se o tempo todo
em storytelling, em contar histórias, emocionar e tornar interessante e
relevante. Não há jornalismo – o bom – sem pessoas. Penso que escrever as
matérias que esses softwares são capazes de fazer transforma os jornalistas em
autênticos robôs. Não pensam, não fazem análise, é um trabalho mais
automatizado que a linha de montagem da Audi.
Em outro artigo, o site SimplyZesty.com defende a tese
de que as máquinas estão mortas e os humanos tomarão o controle dos mecanismos
de busca. Bom, as máquinas não estão mortas, estão mais vivas que nunca, no
entanto, os movimentos recentes de empresas como o Google em direção a uma
busca mais social faz crer que os robôs ainda não são capazes de tratar e
oferecer conteúdo de forma tão relevante quanto os humanos.
Na era da sociedade da informação e do excesso de
informação, é mais necessário do que nunca a presença de editores, jornalistas,
guias e gurus para ajudar a montar um cardápio informativo de boa qualidade.
Todos tem a chance de serem gatekeepers em maior ou menor escala.  Ninguém
pode deter o monopólio da informação, ninguém é capaz de determinar sozinho o
que é ou não interessante e relevante. O Google já entendeu isso e outorgou
mais poder aos usuários e podou a força dos seus motores de busca.
Mais uma vez, é o homem se entrelaçando com a máquina
para produzir mais, mas principalmente melhor. Ainda estamos descobrindo como
utilizar todo o potencial da máquina em nosso favor. Ao mesmo tempo, o toque
humano se faz cada vez mais necessário para distinguir o bom, ou mau, o péssimo
e o excelente. Vamos construir braços mais fortes e rápidos, matérias mais
embasadas e com mais possibilidades de produção e vamos, aos poucos,
descobrindo a melhor forma de consumir conteúdo na internet. Esta equação as
máquinas não poderão resolver sozinhas. E o homem também não poderá.

Por Giácomo Degani. Jornalismo / marketing / social media / cibercultura. @giacomodegani  

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