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Julio Vasconcellos: vontade de trabalhar todos os dias de camiseta e tênis


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No Ping Pong desta terça-feira, mais uma figura que dispensa apresentações: Julio Vasconcellos, cofundador do Peixe Urbano. Ele foi o primeiro executivo do Facebook no Brasil, antes de criar o site de compras coletivas, quando a febre estava começando no país –hoje, o Peixe é considerado um dos gigantes do ramo.

Aqui, Julio conta sobre uma de suas motivações de infância que fizeram com que ele virasse um empreendedor: a vontade de trabalhar todos os dias de camiseta e tênis. Ele afirma que ainda separa um tempo de sua semana para manter uma relação próxima com os parceiros do Peixe Urbano e destaca uma startup brasileira na qual colocaria seu próprio dinheiro.

O que te inspira na vida e no trabalho?

Solucionar problemas de forma criativa e de maneira que melhore a qualidade de vida das pessoas ao meu redor – sejam elas clientes, parceiros ou colegas de trabalho.

Você lembra como foi seu primeiro contato com a tecnologia?

Brincava com um computador 386, que foi o primeiro computador na casa dos meus pais.

O que te fez começar a empreender? Como você se preparou para ser um empreendedor?

Minha vontade de empreender surgiu na infância e veio de um desejo muito simples, porém, talvez simbólico: a minha vontade de poder trabalhar todos os dias de camiseta e tênis. Além disso, sempre fui uma pessoa curiosa e o meu hobby favorito desde menino era ficar inventando novas ideias e soluções, buscando melhorar a maneira como as coisas funcionam.

Quando você começou esta startup, qual foi sua visão de sucesso?

Queria encontrar uma forma de usar o poder da internet para ajudar as pessoas a conhecerem melhor as suas cidades – a encontrarem os melhores estabelecimentos e os melhores serviços locais. A ideia era levar o consumidor do online para o offline, em movimento oposto ao que estava acontecendo na época, revolucionando também a forma como as empresas fazem marketing e se relacionam com seus clientes atuais e potenciais. Hoje em dia, a nossa missão continua exatamente a mesma. Começamos a empresa ajudando os nossos usuários a explorarem o melhor de cada cidade através das compras coletivas e hoje já estamos fazendo isso por meio de outras ferramentas também, como o Peixe Urbano Delivery e o Guia Peixe Urbano.

No Brasil, todo mundo é meio técnico da seleção e quer escalar o time dos sonhos. Como você fez para escalar o seu time?

Fui atrás das melhores pessoas que eu conhecia em cada área e de indicações dentro da minha rede de relacionamento. Acredito que profissionais excepcionais atraem outros profissionais excepcionais, gerando um ciclo virtuoso e positivo dentro da empresa.

Você gasta quanto do seu tempo com vendas?

Todas as semanas eu separo um tempo para visitar alguns de nossos parceiros pessoalmente. Acho importante manter esta proximidade com eles e com os nossos usuários para poder receber feedback e desenvolver novas ferramentas e funcionalidades que aumentem a satisfação dos nossos clientes. Um dos meus sócios tem um background mais forte na área comercial e hoje em dia ele dedica boa parte de seu tempo viajando pelo Brasil inteiro, visitando parceiros atuais e potenciais, justamente para trazer pra dentro de casa o feedback deles, assim como novas ideias que podem contribuir com a construção contínua da estratégia da empresa, gerando parcerias fortes e de longo prazo.

Prefere bootstrap ou empreender com o dinheiro de sócios?

Isso depende da fase do empreendimento. Até conseguir a validação do modelo de negócios e da empresa, o bootstrapping é preferível e, muitas vezes, inevitável. Porém, mais pra frente, na hora de escalar e acelerar o crescimento do negócio, um investimento maior geralmente ser torna indispensável.

Você venderia sua empresa e se desligaria dela? Como isso aconteceria?

No momento o meu foco total está em construir uma empresa com visão de longo prazo. Quero construir um negócio saudável e sustentável, com boa base para continuar crescendo por muitos e muitos anos e se consolidando cada vez mais como uma companhia referência no segmento de Local Commerce no Brasil, ajudando as pessoas a decidirem o que fazer em cada cidade e as empresas locais a desenvolverem os seus negócios. Estamos ainda no início dessa jornada.

Para onde o mercado brasileiro vai? E as startups vão junto, vão na frente ou vão atrás?

O mercado brasileiro está bastante aquecido e é de olho nas oportunidades que existem que vemos cada vez mais ideais e novidades sendo lançadas. Estamos começando a construir um ecossistema de startups no país, que ainda tem muito a se desenvolver, mas já começa a se formar e a atrair cada vez mais talentos e investimento. Nesse ambiente competitivo, é natural que muitas empresas não sobrevivam, porém algumas poucas crescerão e se consolidarão, criando novos segmentos, novos nichos, novas tecnologias…ajudando a melhorar a vida das pessoas de alguma forma.

Você se sente realizado? já conquistou o sucesso? Sua noção de sucesso alterou conforme a trajetória da startup?

Sinto orgulho de tudo que já conquistamos até hoje – antes de lançar o Peixe Urbano realmente não esperava que a empresa crescesse na velocidade que ela vem crescendo – porém, é importante manter o pé no chão. Ainda estamos no início do que espero que seja uma longa jornada. É preciso consolidar o que já foi construído até hoje e continuar fortificando e reoxigenando a empresa. Costumo dizer que a vida de um empreendedor não é um disparo de 100 metros nem uma maratona tradicional, é como se fosse uma maratona corrida na velocidade de um disparo de 100 metros, sem parar e sem perder o ritmo.

Quais startups te deixam mais feliz como cliente?

Gosto muito da Evernote, da AirBnB e da Uber nos Estados Unidos.

Se você fosse se tornar sócio investidor de uma startup, qual ou quais seriam elas?

Investiria na Viva Real, que na minha opinião vai ser o futuro dos classificados de imóveis, mercado que ainda está quebrado online.

Quais dicas você daria para quem está pensando em empreender uma startup?

Acredito muito no mantra “não fale, faça”. Se você tem uma ideia para um negócio, a melhor forma de saber se essa ideia é boa mesmo é testando a sua hipótese no mercado. Especialmente no mundo digital, que possui baixas barreiras de entrada e uma rápida evolução, geralmente não vale a pena gastar muito tempo preparando um plano de negócios muito elaborado. Na maior parte das vezes, faz mais sentido testar uma versão beta do seu produto (o “MVP”) para ver se a ideia realmente tem potencial antes de seguir em frente.

Entretanto, ao mesmo tempo que é importante agir com velocidade e criatividade, à medida que a companhia vai crescendo, manter o foco se torna cada vez mais essencial. Em cada fase da empresa, é preciso buscar o equilíbrio ideal entre querer implementar todas as ideias e projetos simultaneamente ou um de cada vez com maior nível de cuidado e qualidade. Saber planejar e priorizar os diferentes projetos e ser realista diante dos recursos disponíveis é extremamente importante para que esses recursos sejam alocados da forma mais estratégica possível, visando o crescimento sustentável e de longo prazo da empresa.

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